sábado, 28 de fevereiro de 2009

Desabafo

É. A falta de respeito agora já ultrapassou todos os limites de convivência possíveis. Não há mais comunicação, isso é fato. Estou desde quinta-feira tentando ligar para os "responsáveis" aqui na Itália para que façam a transferência da minha passagem para outro dia. Sem resposta.

Já enviei mensagens, liguei em TRÊS números diferentes... sem retorno. O tão falado "contrato" que somos obrigados a assinar antes de vir pra cá já foi estuprado dezenas de vezes, tanto por quem está residindo como por conta dos "responsáveis". Se eu não tivesse alugado o carro ontem, já teria parido uma mula. Ou coberto alguém de porrada.

Estou com uma enorme vontade de procurar um advogado assim que voltar ao Brasil, para ver o que pode ser feito em relação à isso. Afinal, um contrato que custa o preço de um carro popular teria que ser, NO MÍNIMO, cumprido à risca. Até foi, na primeira semana que fiquei aqui. Depois desandou e agora tá essa porcaria.

Sei que já está acabando, sei que falta pouco tempo. Mas é como uma panela de pressão: se não deixar o vapor sair, explode. E machuca SÉRIO a todos que estão em volta.

EDIT: Ou o povo lê o blog ou sei lá o quê. Foi só eu escrever aqui e, meia hora depois, entraram em contato. Que fofo. Beijão pra vocês, viu?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dias 20, 21, 22...

É oficial: meu saco já preencheu. Graças ao italianinho e à internet, eu ainda não matei um com requintes de crueldade. Ficar isolado aqui na casa com um monte de gente estranha (mesmo convivendo com eles há quase um mês), de costumes e maneiras tão diferentes, realmente é complicado. Some a isso o fato da gente não poder sair, correndo o risco do guarda passar e tudo ir pro Limbo, bem... é de surtar.

Ontem acabei indo até o centrinho, pra ver se dava uma espairecida e comprava alguns chocolates diferentões. Isso eu fiz, sim. Aproveitei que tava com o cachaceiro oficial da turma e fomos até um bar, estilo botecão mesmo, pra tomar uma cerveja. Que veio fria (não gelada, o que é estranho) e em copos que pesavam um quilo FÁCIL. Pra acompanhar, como o bar só oferecia petiscos dolces, pegamos alguns salgadinhos. Vou até ver se consigo "contrabandear" alguns pro Brasil. Bem diferentes, bem interessantes... mesmo com quase todos tendo gusto ketchup.

Depois disso, aproveitei o embalo pra passar na pizzaria e pegar um teco da pizza de patatine, já que não aguento mais comer macarrão com molho. Não estou desfazendo do povo que tá cozinhando aqui pra gente, longe disso. É que a MESMA coisa TODO dia não dá. Na sequência ainda parei na sorveteria pra detonar "uma bola" mezzo spagnola (uma espécie de nata com cerejas em calda) mezzo americanino (que me lembrou gosto de panetone). Com a pança cheia, requisitamos a carona do Vincenzo para que pudéssemos subir a morreba com as compras nas mãos. Prestimoso como ele só, chegamos sem problemas.

O sono bateu cedo, por volta das 23h. Fui deitar mas só consegui dormir lá pra depois da meia-noite, já que o pessoal se empolgou com a garrafa de whisky que o Thiago trouxe lá do mercado e resolveram conversar (naquele tom de voz GOSTOSO que eles têm, perto dos 100db) até perder a voz. Cabe dizer aqui que eu durmo com um travesseiro com quase três quilos em cima da minha cabeça. Mesmo assim, continuei ouvindo o escândalo. Pra quem tinha um contrato bradando coisas como "apartamentos individuais" e "lei do silêncio à partir das 22h", bem... só tô tomando no rabo, mesmo.

Hoje eu vou alugar um carro de novo pra, amanhã, passar na feira da cidade e ir até o shopping pra comprar as encomendas eletrônicas familiares, bem como algumas lembrancinhas pra alguns entes queridos. Como ontem, ao nos trazer, o Enzo disse que o punheto do guarda vai passar só semana que vem, meio que "ganhamos" uma folga pra dar um rolê. Vou aproveitar pra não enlouquecer.

Se acontecer algo de diferente, vem pra cá. Se não... um baccio per tutti!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dias 18, 19 e 20

Pois é... os dias passam e eu sou obrigado a juntá-los em "coletâneas" pra ter o que escrever aqui. Como vocês já estão cansados de saber, estamos em vigília pela passagem do guarda. O truta pode vir a qualquer momento, o que acaba limitando nossas saídas. Mas não tem problema não. Afinal, eu vim aqui só pra isso, lembram? Tudo que já fiz até agora foi é LUCRO.

Acabei não saindo na sexta-feira, mas no sábado cedo já estávamos em direção ao centrinho. Disse o Juliano que lá encontraríamos uma "feirinha", onde praticamente tudo era vendido com preços BEM convidativos. Como pra baixo todo santo ajuda, chegamos em poucos minutos na tal feira, que ficava "escondida" ao lado de um estacionamento.

A tal feira me lembrou bastante as que víamos em Peruíbe, no litoral de São Paulo, menos os trocentos ripongas vendendo pulseirinhas, badulaques e tchananinhos. Na "nossa" vi à venda luvas, gorros, roupas de tudo que eram tipo, malas, CDs e DVDs (dã!), utensílios domésticos, artigos de perfumaria e até, vejam só, comida. Peixes, queijos, vinhos, azeites... um monte de coisa legal. Acabei não comprando nada dessa vez, vou deixar pra levar mesmo no fim de semana seguinte, meu último aqui na Itália.

Saímos da feira em direção ao mercado, pra comprarmos algumas coisas pra variar um pouco o almoço. Não me entendam mal; o povo aqui tá fazendo milagre com o que compramos pra termos sempre refeições variadas e com carne. O complicado é que chega uma hora em que até o macarrão "à bolonhesa" e o arroz com feijão começam a preencher os pacovás. Claro que essa é a intenção literal das comidas, mas cadê experimentação?

Acabei comprando alguns frios no mercado. Já tinha visto algumas pessoas fazendo os pedidos, mas sem prestar muita atenção. Eis que, quando chega a minha vez, eu faço o pedido em um italiano tão perfeito que eu até me assustei com o que saiu da minha boca. A moça olha pra mim, assustada... não pelo que eu falei, mas pela quantidade pedida. 1 quilo de mortadela, aparentemente, é muito até pra alguém da minha atual circunferência. Ela me pergunta se era aquilo mesmo, respondi que sim, que deveria durar uma semana (ênfase no fato de que TODA a conversa foi travada em italiano)... a oura moça lembra que estávamos em um monte de pessoas. Eu a corrigi dizendo que não estávamos mais em quinze, mas apenas em cinco. Ela ri, eu também. CARVALHO, até piada em italiano eu fiz.

A mocinha começa a fatiar a mortadela. Me deu até vontade de FILMAR o processo pra poder esfregar na cara de todos os responsáveis pela seção de frios e laticínios de Florianópolis, pra que eles vissem O QUE É a ARTE de se cortar uma mortadela em fatias tão finas que chegam a ser quase translúcidas. Ela fatia até o braço ficar cansado. Para pra respirar e pesa o quanto deu: 250g. Mais uma encarada do tipo "tem certeza que é tudo aquilo mesmo?" e eu digo "não... pensando bem, vou levar só 500g. Aí eu não divido com ninguém". Ela ri de novo e pára de cortar com meio quilo.

Aqui cabe outro parêntese. Na Itália, as unidades para compra de frios e carnes são divididas em quilos e etti. Um etto equivale a 100g. Então, ao invés de pedir por "meio quilo", eu pedi que ela me desse cinque etti de mortadela. Não faço a MENOR idéia de onde eu aprendi isso. Só sei que, na hora, saiu. E saiu certo.

Feliz com as compras na mão, veio a lembrança: estamos a pé e subir a morreba não ia ser nada fácil. Já tinha feito a tarefa com o italianinho nas costas, eu sei. Mas não tava com o menor saco pra repetir o feito. Então, como diria meu irmão, comecei a mentalizar que alguma alma italiana caridosa poderia surgir do nada pra nos levar até a casa... até que surge uma caminhonete buzinando no nosso rabo. Eu ia xingar, mas olhei e vi que era o Vincenzo, o dono da casa. Nunca fiquei tão feliz em encontrar o truta da batata na boca (ele fala como se tivessem atochado um tubérculo na goela). Nos trouxe até a casa e fiquei felizão o resto do dia.

Almoçamos e cochilei. Acordei, joguei um pouco, internet, tchananã... até que a noite chegou. Eu vi que o povo da casa tava especialmente excitadinho, sabe-se lá porque. A idéia era a gente fazer alguma coisa pra dar uma agitada. Cáspita, vocês com carnaval e tudo por aí e a gente mofando aqui? Blé! Vamos brincar de fantasminha.

Estava eu na sala vendo seriados quando escuto uma PUTA barulheira vinda do lado de fora. Nem me dei ao trabalho de ver o que era. Só escutei a mina daqui gritando que "tavam derrubando a casa". Fui ver o que era e tava ela lá, assustada. O resto do povo tava por lá também, dizendo que tinham ouvido passos em volta do terreno. Guardei o note no quarto e demos uma olhada lá fora.

Nada. Demos mais um passeio pra confirmar e aí só o que me restou foi dar risada. Até porque vi a cara de todo mundo que tava por lá e isso me fez ter certeza de que tinha sido brincadeira do povo. Depois de um bom tempo rachando o bico, fui deitar. Cobri a cabeça com meu travesseirão e capotei.

Assim que o povo levanta, vêm me contar sobre tudo que aconteceu depois que eu fui deitar. Acabei perdendo o MELHOR da noite enquanto roncava. Maldito sono pesado, viu?

Meia hora depois da gente se retirar, um copo aparentemente andou no corredor da casa. O barulho acabou acordando a todos os demais, que ainda viram outros dois copos caindo na sala da lareira. Eles caíram de uma altura considerável e não quebraram. Um deles, que estava cheio de cinzas de cigarro, ainda chegou a fazer uma espécie de "desenho" no chão.

Não consegui acreditar até que entrei no quarto e vi tudo.

Ri por mais de dez minutos sem parar.

A cara de medo do povo daqui parecia combustível pras gargalhadas. Depois de um tempo, todos os outros entram na brincadeira e também se divertem com o fato. O que um ventinho não faz com mentes impressionáveis, não?

Pelo menos essa atividade fantasmagórica fez o fim de semana ter um pouco de diversão "ao vivo". Passamos o resto do domingo comentando sobre o fato, tirando conclusões e rindo a cada vez que alguém achava que aquilo poderia ter sido algo mais sério. No fim da noite, ainda dava tempo de ter mais uma emoção, certo?

Um dos trutas pegou um lençol e uma fronha e se fantasiou de fantasma. Veio de mansinho por fora da casa e colou a cara na janela da sala de sopetão. O grito que o Juliano deu foi a coisa mais tragicômica de toda a viagem. Rimos por mais meia hora e o sono, enfim, chegou.

Assim termina a terceira semana de Itália. Iniciando hoje, a última dessa primeira saída do Brasil. Será que a Véia que supostamente habita a casa vai querer se firmar como mais um dos participantes do Grande Fratello Brasil? Aguardemos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dias 16 e 17

Nada. Completamente nada. Acordar, banho, café, internet. Dormir, acordar, comer, internet. Comer de novo, internet, dormir. Essa é a rotina agora, depois que oficialmente começamos a vigília para aguardar a chegada do querido Rosário (é... ESSE é o nome do guarda).

Pelo menos a internet tá funcionando chupetola (claro que, de vez em quando, rola umas quedas. Mas nunca mais ficou ema de só querer funcionar em EDGE) o suficiente pra eu conseguir me atualizar em todas as séries que assisto. Até comecei a ver 30 Rock, olha só. A partir da terceira temporada, claro.

Os dias aqui, pelo menos, não têm decepcionado em se tratando do clima. O frio tá ótimo (variando de 10° pra baixo) e o sol têm aparecido todos os dias. Ontem começamos com chuva, mas o sol apareceu rachando na sequência. Como está agora, neste exato momento. O marzão azul brilha aqui na frente, mas ainda impossível de se aproveitar. Os fins de tarde também são um show à parte. Dá uma olhadinha na foto que tirei ontem, aqui da sacada:



Legal, né? Pelo menos tudo isso tá ajudando o tempo a passar mais rápido. Mesmo estando na Europa, essa coisa da gente ficar esperando a passagem do truta é meio maçante. Tô até considerando uma caminhada até o centrinho, hoje. Se rolar, pelo menos amanhã terei mais o que falar pra vocês!

Un baccio per tutti!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dias 14 e 15

Vou confessar a vocês que eu me perdi na questão dos dias por aqui. Depois do porre homérico, não me restou muita coisa a não ser ficar em casa sem fazer porcaria nenhuma, principalmente porque eu ainda tinha que dar um jeito de fazer o meu italianinho falar português. Mais por uma questão de honra do que de qualquer coisa, é verdade. Demorei e passei por um perrenguinho pra conseguir, e é essa história que ilustra o PARLA, GUTO! hoje.

Pra tentar seguir a cronologia, fiquei o domingo todo variando entre tentar fazer a internet funcionar, conseguir e vê-la cair na sequência; comendo coisinhas leves e doces; e bebendo muita água, pra espantar a nhaca que a combinação belga + alemã me deixou. O povo até arriscou uma saída pra cidade, mas eu neeeem tava a fim. A única coisa de que tínhamos certeza é que na manhã de segunda tínhamos que fazer compras. Afinal, iríamos devolver o já saudoso FidumPunto. Aí, fio... pra fazer compras, só chorando pelo Enzo ou descendo a morreba. Pra baixo todo santo ajuda, sempre. Agora, pra subir...

Antes de irmos dormir, resolvemos abrir a garrafa de um negócio que eu comprei aqui, só pra saber do que se tratava. Fotos abaixo.




Notem a graduação alcoólica. Eu não estava nem perto de poder ingerir um negócio desse. Foi então que o Thiago começou a tomar a porcaria. Como o moleque é novo (22), foi que foi com GOSTO pra cima do bagulho. Nos primeiros goles, ele já ficou exalando o cheiro do álcool. Como tava sem sono por ter dormido de tarde, ficou acordado enquanto todos nós fomos dormir.

Na manhã de segunda, já acordei 100%. No caso do Thiago, bem... já começa que ele só dormiu 3 horas. Acordou COMPLETAMENTE BÊBADO. Ainda não sei porque resolvemos levar o moleque com a gente e não o deixamos dormindo. Estacionamos na porta do mercado e entramos. Menos ele. Quando me dou conta, tá lá o truta gorfando na porta do negócio. Isso se repetiu por mais duas vezes, em lugares variados. Compras feitas, passeio rápido idem. Como a internet ainda tava meio despirocada, fui até a TIMMa e falei com o tiozão. Ele meio que desconversou quando eu disse que o problema tava na caralhinha da chiavetta e disse que, se até o fim da tarde tudo estivesse dando caquinha, que levasse o computador lá pra ele dar uma olhada. Não me passou nenhuma confiança, mas até aí...

Voltamos pra casa e o camaradinha gorfou de novo. Desmaiou na cama dele e só o vimos de novo no dia seguinte. Pretexto mais do que suficiente pra eu ficar bem longe do pouquinho que sobrou na garrafa. Porra, o bagulho é INFLAMÁVEL! A gente acendeu no copo com um isqueiro! Almoçamos um arrozinho com feijão e bifes e tirei uma soneca de quarenta minutos. Ao acordar, eu e o Wagner fomos devolver o carro. OBVIAMENTE nos perdemos nas vielinhas da cidade, mas conseguimos entregar a chave e finalizar a experiência automobilística italiana. Só me restava agora levar o computador na TIMMa pra ficar, enfim, com internet estável o suficiente pra conseguir conversar com família, namorada e pegar uma série ou outra pra me atualizar.

Colei no truta e a resposta dele não me foi nada satisfatória. Ele disse que NÃO TINHA COMO trocar a chiavetta, por conta do número do IMEI e dos 5€ de internet que vem dentro (e que não tinham sido TOCADOS, descobri hoje cedo) e que o problema jamais seria dela. Era com os drivers. Jogou até que fosse o sistema operacional do baguio. Me indicou uma assistência técnica na rua de cima e lá fui eu. A noite caiu e, com ela, a temperatura. Como eu fui prevenido com o casacão, tava nem aí. Some a isso o fato de carregar um bebê de aproximadamente 3 quilos nas costas... calor é meu sobrenome, trutá. O cara da assistência tentou instalar um outro driver que ele tinha lá... e não deu certo. Nisso já eram 19h30 e aqui já parecia madrugada. 'Bora subir a colina!

Tá. Não vou comparar a caminhada à subida com o Vesúvio, porque são coisas completamente diferentes. Até porque nessa aqui, apesar de eu chegar em casa parindo um bezerro, não tava com vontade de cuspir minhas entranhas no topo (isso que ainda subi com o casaco - que me transformou numa fornalha ambulante - e com o italianinho nas mochila). Mas que foi complicadão, foi. EU.ODEIO.GORDO.

Cheguei suadão, sem fôlego e com as pernas ardendo. Não sabia o que era, mas fui direto pro banho. Lá vi que haviam pelos entre as minhas coxas que estavam encravados. O atrito fez mais de dez deles sangrarem a ponto de ter... bom, esse ainda é um blog de família, apesar dos palavrões. Então deixarei descrições mais fidedignas das feridas pra quem quiser saber ao vivo. Tão me incomodando até agora, mas deixa pra lá.

Sentei na frente do computador, já renovado pela chuveirada, e decidi: é AGORA que eu faço esse italianinho falar português. Mesmo com uma conexão completamente instável, completei os downloads necessários. Formatei o bicho, comecei a instalação do Ultimate... e lembrei: vou pegar o CD com os drivers lá na caixa do note. Quem falou que tinha CD? Só tinha um manualzinho explicando como fazer pra GRAVAR esse CD como sendo a primeira coisa a ser feita depois de desempacotar o bichano.

Eu acabei de formatá-lo, mandando tudo pra casa do carvalho.

...

Tá. Levantei da mesa, abri a porta da sacada, fui até lá fora. Olhei pra cima, enchi o peito e xinguei até ficar sem ar. Voltei pra dentro e comecei a instalação dos acessórios pela cáspita da chiavetta, que dessa vez não teria pretexto pra não funcionar. Demorei cerca de cinquenta minutos pra fazê-la rodar do jeito certo. Depois de tudo completo, AÍ SIM: eu estava com a melhor conexão possível na Itália, com um dos melhores computadores à venda no mercado. O MUNDO É MEU DE NOVO.

Baixei todos os drivers faltantes, instalei tudo que tinha pra instalar e resolvi testar a conexão pegando um ou outro episódiozinho de série, só pra ajudar a passar o tempo. Saldo final dos downloads: VINTE E SEIS EPISÓDIOS no HD, até agora. Quem falou que o tempo de espera pelo guarda vai ser chato? Pode até ser pro povo que tá comigo, que não quiseram trazer os seus / não compraram por aqui... mas eu tô em casa. Em todos os sentidos.

Já aviso que os dias aqui, agora, serão bem mais paradinhos... já que iniciamos a vigília pelo excelentíssimo oficial. Mesmo assim, tudo que de diferente acontecer por aqui, vem parar no blog.

Un baccio per tutti!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dias 12 e 13

Pois então, gente. Nos dois dias seguintes à visita do Vulcão, não fiz muita coisa por aqui. Durante a manhã do dia 12, saí pra enfim comprar a maledeta da chiavetta da internet. O trocinho tem as mesmas funções dos pinguelinhos de Internet 3G do Brasil, mas é muito mais estiloso. Pra vê-la, clique aqui. Bacanuda, né? Assaz.

Infelizmente, teria de esperar por volta de duas horas até que o chip fosse ativado pela TIM italiana que, aqui, se pronuncia de forma completamente diferente. Quando falamos o nosso “Tchin”, eles não entendem. É “TIMMA”, como se fosse o Sílvio Santos com “a mudo” no final. Qualquer hora eu gravo um áudio explicando melhor. Fiquei aguardando, já na paúra de fazer o meu bebê surfar na internet pela primeira vez. Enquanto aguardava, joguei um pouco de Paciência em italiano (Solitario) e dei um jeito no problema das acentuações. Como minhas mãos já decoraram a posição das teclas brasileiras, mapeei o teclado de forma que elas correspondessem ao que eu estou acostumado a digitar e não ao que está escrito em cada um dos botões. Resultado: SÓ EU sei fazer acentos e tchananãs no meu filhote. Mais exclusivo que isso, não dá.

Aí que a internet resolveu passar do prazo e não funcionar. Achei estranho que o compartimentozinho onde coloca o chip estava meio “estufado”, como se algo estivesse errado. Abri e arrumei. Essa foi a primeira pista de que o sr. que me atendeu na loja não fazia a menor porra de idéia do que ele estava fazendo. Se errou na hora de colocar o chip, quem falou que ele acertou na hora de mandar a TIM ativar a bagacinha? Toca descer a morreba e ir atrás do homem. Isso, claro, respeitando o horário de funcionamento italiano, que é das “não sei quanto” da manhã até às “boa vontade de quem tá lá” da noite. Dei sorte e achei o homem, cuja única resposta foi ”Espere mais um pouco pela ativação. Se até amanhã de manhã não der certo, volte aqui”. Fui comer uma pizzinha de Brócolis com Linguiça / Salsicha com Batatas fritas pra passar a fúria. O Wagner queria aproveitar que estávamos por lá e comprar umas lembrancinhas pra esposa e filha. Então, fomos todos no embalo. Eu com a mochila do note nas costas, a caixa de pizza com os pedaços restantes na mão e começando a perceber que o frio tava começando a incomodar até mesmo a mim. Isso significa que a temperatura baixou de 10°... some o vento que tava na viela, danou-se. Olhando nas lojas, vi uma que vendia roupas de frio com desconto, já que o verão está se aproximando por aqui. Comprei um casaco de neve por 30€ (com um colete interno destacável) e estava me preparando pra sair quando vi uma coisinha que mudou a minha vida. Fui OBRIGADO a comprar, lógico. A imagem da maravilha está logo abaixo. Clique pra ampliar!



MUITO legal, né? E a sorte de achar uma que servisse num pé 42, mesmo sendo a seção infantil da loja? Voltei pra casa felizão da vida. Agora, só o que me faltava era conseguir acessar a internet com o pequenino, coisa que aconteceu aos trancos e barrancos. Tudo por conta da falta de, imaginem só, um manual de instruções decente pra chiavetta. Assim: ela indica o status do aparato de acordo com uma luz que acende em cima. Essa luz começou vermelha. Então, ficou piscando em verde. Até aí, a conexão aqui (que deveria atingir velocidades de até 7.2M) estava funcionando, mas em velocidade EDGE. Fora que a caralha ficava desconectando não da conexão, mas DO COMPUTADOR a todo momento. Como se alguém estivesse tirando e colocando a bagaça da porta USB, sabe? Assim. Já achei que o bagulho tava com defeito e enlouqueci.

Tirei e coloquei ele da porta USB. Coloquei em outra. E depois na outra. Voltei pra primeira, que fica ergonomicamente melhor. Aí, a cada dois minutos, tinha que tirar e por a porcaria porque ela desconectava. Não dava pra baixar coisa alguma, não tinha o que fazer. Foi então que, do mais absoluto NADA, o pinguelo começou a piscar em ROSA (o_O) e, então, estabilizou em uma luz azul. Fui ver o indicador de velocidade que acompanha a chiavetta e ele estava marcando conexão em HSUPA, que é a mais veloz rede de dados via GSM disponível. Parou de cair. Estabilizou e ficou uma BELEZA. Aí foi só alegria. Baixei programas, acessei sites, conversei com algumas pessoas e pude até deixar os dois episódios de LOST baixando durante a madrugada. UFA!

Assisti aos dois na manhã do dia 13, que foi bem paradão. Fiquei praticamente o dia todo brincando com o nenê. Isso quando a conexão permitia, que ela resolveu dar uma despirocadinha de leve durante alguns momentos. Nada que uma série de palavrões direcionados ao cara da TIM e seus antepassados não resolvesse. A conexão depois voltou pro azulzinho e lá ficou por um BOM tempo, o suficiente pra eu mostrar a casa toda pra Osi e pros meus pais, via webcam do MSN. A conversa com eles tava boa, e aí o pessoal da casa decidiu ir pra balada. Uma rápida troca de roupas depois, fomos pra cidade vizinha, que é onde rola a alegria. Aproveitei pra estrear meu casaco novo. Fechei o zíper dele (que cobre até os joelhos) e entrei no carro. PÁ! Ao abrir as pernas pra sentar no banco, o zíper estoura. Na verdade, foi só a base dele que quebrou. Mesmo assim, já foi algo que me fez espumar antes mesmo de colocar a chave na ignição. A risada do povo dentro do carro também não ajudou a princípio, mas... ah, foda-se! Tudo é festa, eu tô na Itália!

No meio do caminho, passamos por uma estrada fechadinha e foi lá que eu vi pela primeira vez as “primas italianas”. Fiquei com pena das coitadas, que ficavam na beira da estrada aquecidas só por um barril fino e alto, cheio de carvão em brasa, enquanto esperavam por alguém. Vale constar que a IMENSA maioria delas é negra. Isso me incomodou um pouco, porque até agora eu não tinha visto nenhum “afro-italiano” por aqui. Marginalizou o baguio? Esses pensamentos sumiram assim que vi primas loiras. Continuamos o caminho e chegamos à cidade, com uma dificuldade ABSURDA pra conseguir estacionar. Nessa hora eu me lembrei o porquê de eu querer ter alugado um Smart, aquele carrinho caixa-de-fósforo de só dois lugares. Pra vocês terem idéia, em vagas onde se estacionava assim --- , haviam Smarts parados assim | . Eu ri.

Encontramos uma vaga dez minutos depois e caminhamos até a região dos bares. Entramos em um chamado “White Rabbit”, que pareceu aconchegante. O frio lá fora já estava quase me lembrando o gelo do topo do Vesúvio, então um lugar aquecido era tudo que a gente queria. Ainda mais com salgadinhos complementares e cerveja belga. A graduação alcoólica escolhida pelo grupo foi a de 10°. O tamanho do copo? 700ml. Quantas eu precisei pra pirar o cabeção? Três. Impressionante como aquilo subiu rápido. Da mesma forma que veio, foi. Eu culpo o catzo dos salgadinhos, que apareceram bem vívídos na água da privada logo depois que chamei o Hugo. Comemorem, pois foi o meu primeiro porre fora do Brasil! Ê.

Dali pra frente, como é de costume pras pessoas que passam mal, eu só queria saber de cama. Até cogitei a idéia de ir pra algum lugar pra tomar um soro glicosado na veia e acordar bem, mas como CATZO eu ia pedir isso por aqui? Aliás, como catzo eu ia fazer qualquer coisa, se eu malemá parava em pé? Esperei o povo terminar de beber e fomos em direção ao carro. Mesmo enjoado e querendo dormir, parei com o povo em uma pizzaria que vendia uma pizza em cone, mas BEM diferente dessas que vendem aí no Brasil. A casquinha dela parecia uma de sorvete, mas com a massa mais grossa. O recheio escolhido pelo povo foi o já manjado margherita. O meu foi de Black & White, de chocolate preto e branco. Taí a glicose que eu precisava! Uma água com gás ajudou a descer tudo pro estômago que, apesar de zoado, NUNCA vai me negar a chance de experimentar comidas diferentes.

Abasteci o carro no self-service e rumamos em direção à casa. LÓGICO que não fui eu quem dirigiu, já que eu desmaiei durante todo o caminho. Cheguei em casa trançando as pernas, me tranquei no carro e dormi. Aí acabou meu décimo-terceiro dia aqui na Itália. E a leitura de vocês por hoje, também. A dománi!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 11

Antes de mais nada, ja avisarei com antecedência: meu laptop novo é italiano, com o teclado BEM diferente do Brasileiro. Ainda nao consegui configurá-lo e fazer com que os acentos fiquem da forma que devem. Então, se escapar algum erro, scusi!

Começamos o décimo-primeiro dia tomando um café reforçado, pois teríamos um grande dia pela frente. Nosso planejamento (meu e do Wagner, o amigo com quem divido o carro) era o de ir até a cidade de Pompéia, onde se encontram duas coisas bem legais: O Vulcão Vesúvio e a cidade "perdida" de Pompéia, aquela que foi completamente coberta pela lava. A Pompéia atual fica a uma hora e vinte minutos daqui. Então, carregados com vontade, paciencia, alguns euros e a Maria (a voz feminina do nosso GPS), pegamos a estrada por volta das 09h00.

Lá pelas dez e pouco chegamos em Pompei (o nome italiano). De lá, seguimos as placas que indicavam "vulcano" ou "Vesuvio"... ou até mesmo "vesuviano". Turista é assim mesmo. Ainda mais quando mal fala algumas palavras da língua nativa...

Nesse embalo chegamos ao que parecia ser a entrada do acesso ao Vesúvio. Não era. Aparentemente estavamos no que era um Parque Nacional com o mesmo nome. Lá perguntei como faríamos para chegar ao verdadeiro bichão e o homem pediu que procurássemos por "Torre Del Greco". Digitei na Maria e ela não soube responder. Perguntei em um posto e o gordatcho de lá (duas vezes maior que eu!) nos falou que seguíssemos a autostrada que tava tudo certo.

Pois então. Torre del Greco é uma CIDADE, não um bairro de Pompei. POR ISSO a Maria não o encontrou. Só descobrimos isso quando chegamos lá perto das 11h30. Sim, seguimos por dentro de Pompei, e o trânsito tava uma porca miséria. A partir de lá, foi moleza encontrar a verdadeira entrada para o verdadeiro Vesúvio. Vinte minutos de carro ladeira acima, com paradas estratégicas (tirar fotos, gravar vídeos e ir ao banheiro em um restaurante), chegamos ao mini-estacionamento que existe próximo à boca do vulcão. A partir dali, só se pode continuar a pé.

Pagamos o valor da entrada (11€) e começamos a caminhar. São mais 30 minutos a pé, para chegar até o cume. Em meus tempos áureos, acredito que faria a subida em 20, mas a falta de forma, a barriga, o frio (a mula aqui foi até lá de calça de algodão, camiseta e moleton) e a emoção me deixaram meio capenga. Fora que eu vi neve pela primeira vez, né? Neve ITALIANA, meu filho. No VULCÃO. Não é pra qualquer um!

Assim que cheguei no topo, meu mundo desabou. A sensação de liberdade, de conquista, de saber que tudo que eu fiz até hoje em minha vida me levaram até ali me colocaram de joelhos perante aquela paisagem maravilhosa. Então, chorei.

Me esvaí em lágrimas, sem conseguir parar. Vi cada uma das pessoas que me ajudaram a chegar onde estou, a ser quem sou, passarem na minha frente. Mesmo com o vento gelado me empurrando contra o chão, eu não podia deixar a oportunidade passar. Peguei o telefone, vi que tinha sinal (mesmo oscilante) e liguei pra minha família.

Falei primeiro com minha mãe. Aliás, falar é exagero, porque eu realmente não conseguia fazer muita coisa além de balbuciar e lacrimejar. "Você consegue TUDO o que quiser, filho! Parabéns por essa conquista, a mamãe ama você!" foi o que consegui ouvir e foi o que me manteve de pé debaixo do vento e do frio que estava lá em cima.

Eu ainda tinha que falar com meu pai. Eu tinha que ouvir a voz dele, colocar ele ali do meu lado. Não que isso fosse uma dúvida, porque eu sempre soube que ele sempre está. Mas assim que consegui completar a ligação, senti a emoção mais intensa de toda a minha existência. Trocamos poucas palavras, porque o telefone não colaborou. Mas ouvir dele as palavras "EU TE AMO, FILHO!" foi o que tornou aquele dia o melhor da minha vida. E é o que esta me fazendo chorar de novo, enquanto escrevo.

A última pessoa com quem consegui falar foi a Osi, minha namorada MAR malavulósa do MUNDO INTEILO! Pena que a gente falou tão pouquinho... também, alguém tem que pagar as contas da casa, certo? Enquanto uns trabalham, outros se divertem!

Senti minhas orelhas formigando na sequência e não estava mais sentindo os dedos da mão que segurava o telefone. Percebi que era hora de descer, então. Não sem antes, claro, parar na lojinha de lembranças que fica a poucos metros da boca do vulcão pra comprar algumas coisinhas. Afinal, vai saber quando é que eu volto lá, certo?

Na descida, tinhamos uma nova missão: encontrar a Pompéia antiga, que aqui é denominada de "Pompei Scavi". Essa, pelo menos, foi moleza. Chegamos lá rapidamente, estacionamos, pagamos a entrada e começamos o passeio. Mais uma caminhada de uma hora, mais ou menos, até conseguir ver a maior parte das casas, templos e pessoas cobertas pela lava. O lugar é realmente muito bonito e encontramos pessoas do mundo inteiro por lá. Mas pra quem já estava cansado da caminhada do Vesúvio... em pouco mais de hora e meia, ficou chatao. Ainda estava cedo, então decidimos ir até o shopping Vulcano Buono (aquele que, supostamente, ficava dentro de um vulcão, lembram? Xaveco furado! Ele só tem esse nome porque tem o FORMATO de um, não porque tá dentro. Cáspita!)

O shopping fica na cidade de Nola. A portuguesa nos indicou o caminho certo, mas o espertão aqui tentou fazer uma coisa diferente e passou pela única entrada da cidade. Então, tivemos de fazer uma volta que nos custou QUARENTA E CINCO minutos, dois pedágios (que aqui funcionam de forma diferente: voce paga pra entrar nas cidades, não pra rodar na estrada) que custaram 5€ e mais uma parada no posto pra colocar mais um 'cadinho de benzina. Parabéns pra mim!

Chegamos ao shopping por volta das 18h. Entramos em lojas de roupas que anunciavam "tudo por 5, 10 ou 15€" só pra ver que não era nada disso. Uma arara no fundo da loja segurava as roupas em desconto. Pereçam, vou ver isso depois. Compramos refrigerantes pro povo que ficou em casa e a fome bateu. Mc Donald's, claro! Comi um sanduba básico que só tem por aqui e fui até a MediaWorld comprar o bendito notebook.

Encontrei o Paolo, o vendedor que tinha me atendido no dia anterior. Conversamos rapidamente em inglês (é, por incrível que pareça, a gente se entendeu melhor assim), escolhi o modelo, peguei também um mouse sem fio e um pen-drive de 16GB. Se bateu a curiosidade, o modelo da criança é esse aqui: Acer Aspire 6930G. Trocamos MSN (o truta vai pro Brasil em julho!), beijos no rosto (altos gatzinho!) e bora voltar pra casa, que o cansaço já estava incomodando.

A portuguesa nos mandou de volta rapidinho. Acertou todo o caminho, tudo beleza... até que eu fui tentar fazer um atalho de novo. MAIS UMA VEZ, fomos parar no meio da casa do chapéu, à esquerda. Andamos numa viela que deixaria os produtores de A Bruxa de Blair com inveja. Sempre com a macia voz da Maria nos nossos ouvidos, indicando onde deveríamos ir. Ela achou o caminho e, enfim, chegamos em casa. Abrir a caixa do note foi a primeira coisa que fiz, óbvio. Mas lembrei que eu ainda não tinha internet. Então, pouco poderia fazer (ainda mais com o sistema TODO em italiano, né? Resolverei isso ainda essa semana). Deixei ele carregando e fui pro banho. Comemos algo pra complementar o Mc e desmaiei na cama. Por isso não escrevi nada no dia. Também pelo fato de que digitar tudo isso aqui no iPhone aquela hora seria algo além das minhas capacidades. =D

Resumidamente, foi isso. A partir de agora, vocês leitores podem dar um rolê que a próxima parte é exclusiva, tá? Un baccio per tutti!

Pai: eu nunca terei palavras, sentimentos ou gestos suficientes para agredecer a você por tudo. TUDO. Tudo o que tenho, tudo o que sou e tudo o que serei é graças a você. A sua coragem, a sua força e o seu amor são tudo o que eu preciso para saber que tudo ficará bem. Te ter ao meu lado é só o que eu preciso, pra sempre.

Eu te amo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pois agora?

Seguinte, povo: hoje não rola atualização do blog porque eu mal consigo ficar acordado de tão esgotado. Amanhã eu publico tudo direitinho, com detalhes. Mas uma coisa eu posso dizer: foi o melhor dia da minha vida inteira.

Un baccio per tutti!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 10

Quarta-feira. Dia que passou e eu nem vi, já que durante toda a manhã e boa parte da tarde eu capotei no sono. Tomei café por volta das sete e lavei louça até umas oito. No intervalo entre sonos, lavei um par de meias e uma cueca. No fim da tarde, um bom banho pra tirar a nhaca e saímos pra comprar água e carne.

Aproveitando que estávamos no centrinho, fomos até uma pequena pizzaria pra petiscar. Uma pizza margerita (que aqui equivale a uma de muçarela, já que é feita só de queijo e molho) gigante, que alimentou quatro marmanjos, custou 6,50 €. Rachando... Já viu. MUITO legal.

Fomos também até a Vila Rosa, onde aidfa haviam algumas malas do Juliano. Pegamos e voltamos pra casa. Ah! O caminho "normal" estava bloqueado. Então, entramos em uma ruela "secreta" que põe medo em muito motorista experiente. Até nosso instrutor de autoescola pessoal assustou. Foi tudo certo, tanto pra subir quanto pra descer.

Ficamos um tempinho jogando conversa fora e, por volta das 23h, a fome bateu. Uma cozinhada rápida depois, tínhamos carne de porco com milho, arroz e salada. Completei com a Fanta de Chinotto (é ESSE o nome!) pra ajudar a digestão, papeamos mais um 'cadinho e já estava na hora de vir pra cama.

Hoje experimentei outras coisas diferentes, também. Além da Fanta Icy (de limão siciliano), comprei umas sobremesinhas da Kinder, que são uma espécie de bolinho gelado com recheio cremoso. Sabores coco e chocolate. Muito saborosos.

O sono veio rápido, apesar de desregrado. Pra chacoalhar a poeira, amanhã vamos conhecer Pompéia, cidade que deu nome ao bairro que cresci e que abriga o Vulcão Vesúvio. ASSAZ.

Prometo que o dia de amanhã terá mais conteúdo, tá? Arrivederci!

PARLA, BELFIORE! - Dia 09

Terça foi o dia mais difícil que eu já tive aqui na Itália. Um misto de emoções, sensações e sentimentos que me deixou completamente esgotado, física e mentalmente. Por isso não escrevi ontem à noite, como de costume. Não consegui.

Começamos a manhã com a espera do Wagner pela Ester, que disse que chegaria às 8h30 e passou aqui às 10h. Levamos 16 sacos de lixo pra fora da casa, enquanto isso. Sacos de 30 litros, é bom constar. Cheios. Numa patada só. E "levar pra fora" significa subir a imensa rampa que separa a casa do portão de acesso. Pelo menos vi que meu fôlego ainda tá em dia: cheguei lá sem ar, mas uns dois minutos depois já tava pronto pra outra.

Ester chega, desce só até a entrada do portão com sua mega nave e para lá mesmo. Pergunto pra ela se pegou nojo da gente e, assim que ela resolve entrar mais pra responder, BLAM! Bateu a quina da traseira da nave com a traseira do FidumPunto. O carrinho alugado chegou até a balançar com a força da porrada.

Ela sai do carro desesperada, falando trocentos Porca miséria! e vê o estrago: uma vagina no parachoque do Punto e um talho na parte lateral/traseira da nave. Achei meio estranho aquilo e passei o dedo no risco pra ver qual era. Enquanto ela repetia outras expressões italianas de lamentação, peguei a mangueira do quintal e joguei água na parte batida do carrinho. 80% do risco sumiu ali e o Wagner tirou o resto com a unha. O Punto ficou zero bala. A nave da Ester, no entanto... Ganhou mais um arranhão e um amassadinho.

Saem os dois pra fazer a papelada no comune e vou pra cozinha tomar café. O resto do povo acorda, comemos e combinamos que eu e o truta que saiu iríamos comprar a água que esqueceram de trazer da outra vez. Quem ficaria em casa pediu que trouxéssemos recargas pros celulares. Beleza.

O grande problema do trânsito aqui da Itália é que as ruas são bem apertadas. Não, pera lá. Bem apertada é a minha bunda. As ruas são RIDICULAMENTE MINÚSCULAS. São vielas tão pequeninas que AGORA eu entendi o porquê de se fabricarem carros tão miúdos nessas terras.

Além de pequenas, as ruas ainda têm sinalização confusa, já que junto às placas de trânsito os fratellos colocam propagandas do mesmo tamanho, cor e até mesmo fonte. É uma bosta você procurar o centro da cidade e acabar numa agropecuária só porque seguiu as placas erradas. Por vonta disso, nos perdemos no meio das quebradas e atrasamos em mais de hora. Resultado: conseguimos trazer a água, mas não as ricaricas. As lojas aqui fecham durante quase toda a tarde, pra "almoço + descanso". Voltam lá pelas cinco, quando já está anoitecendo.

Almoçamos em casa (arroz, feijão e bife!) e saímos em direção ao Vulcano Buono, um mega shopping que fica à uma hora e meia daqui. Por não saber interpretar corretamente as instruções do GPS; por estar em uma estrada que nunca vi; e por ter cinco vozes diferentes dando pitaco na minha orelha (quatro humanas e uma do aparelhinho), fiquei puto e demoramos mais de duas horas pra chegar lá. Isso fez com que chegássemos com menos de uma hora pra ver tudo e, se fosse o caso, comprar algo.

Falei aqui bucentas vezes que ia comprar o laptop. Pois bem. Ao entrar na MediaWorld, a maior loja de elertrônicos da região, eu passei mal. LITERALMENTE mal, com direito a suar frio, enjoo e dor de cabeça. A quantidade de opções, a variedade e o preço são impressionantes. Sem saber o que fazer, liguei pra minha mãe, falei rapidamente com ela e, depois, com meu pai. Foi aí que o dia acabou.

Ele disse que o lixo da CVC debitou as passagens pra cá em UMA vez, ao invés das oito pré-combinadas. Ou seja: aos olhos do meu pai, EU fiz a merda, porque EU não cuidei disso e ele é quem tem que se foder pra resolver as MINHAS cagadas. Então, se ele já tá boiando num esgoto cheio de bosta, porque eu não termino de foder com ele comprando mais alguma coisa completamente inútil, desnecessária, que trará nada além de MAIS despesa? Por que eu já não aproveito e decepciono meu pai AINDA mais, se é que isso é possível? Afinal de contas, eu só estou aqui pra fazer turismo e gastar todo o dinheiro que conseguir. Não dou o mínimo valor pra absolutamente nada.

Me senti a pior escória da face da Terra. Saí da loja na mesma hora sem comprar nada e fui ao encontro do resto do grupo, que estavam vendo o jogo na praça de alimentação. Não consegui ficar por lá e resolvi esperá-los do lado de fora. Assim que o jogo acabou, pedi pro Juliano voltr dirigindo e chegamos aqui por volta de 01h da matina. Num misto de frustração, tristeza e angústia, não consegui dormir direito. A única coisa que fiz pensar e repensar em tudo que fiz até hoje com a minha vida. Então, decidi algumas coisas com uma certeza que NUNCA tive antes. São:

1 - Assim que toda a documentação ficar pronta, me mudar pra Inglaterra de vez. Voltar a trabalhar, conseguir meu próprio sustento e, enfim, proporcionar para meu pai a paz que ele merece e precisa há tantos anos. Ficar no Brasil já não era uma opção. Agora, é impossível. Nunca poderei ser feliz por lá. Nunca poderei fazer ninguém feliz por lá. Trago todos os que amo comigo e começo do zero num lugar que não me enoje.

2 - Fazer vasectomia assim que juntar os recursos para tal. Ter a certeza de que não terei alguém que faz o que eu faço, pra mim, é garantia de que minha paz estará assegurada no futuro.

Peço desculpas a todos os que visitam este blog, mas eu precisava desabafar e saber que minhas palavras não se perderiam no frio vento italiano.

Um ótimo dia pra todos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 08

Ah, segunda-feira... Que maravilha de dia! Não sei como foram as coisas pra vocês aí, mas aqui...

Começamos a manhã com um PATCHA sol, daqueles de fritar, iluminando todo o nosso paraíso. A paisagem fica ainda mais linda com o tempo aberto, impressionante. Tomamos um cafezão esperto preparado pela Mama Romio e começamos a nos preparar pra chegada de mais um companheiro em nossa casa: o Wagner. A Ester acordou cedão e foi buscá-lo no aeroporto, enquanto os Romio terminavam de ajeitar todas as suas coisas. Ao invés deles irem embora de noite, preferiram sair antes e ir pra Roma. Fui com eles porque, na volta, eu iria ficar com o carro que eles alugaram. Então, por volta das 14h de hoje, eu dirigi um carro pela primeira vez fora do Brasil. MUITO bom.

Outra coisa que fiz pela primeira vez foi mexer num GPS. O que "veio junto" com o carro é um P600 da Acer, que despirocou e travou na hora que fui mexer. Ou seja: achei o caminho de volta na cara e na coragem. Claro que as placas ajudaram, mas aqui na Itália o povo coloca placas de propaganda junto das placas indicadoras de caminho, de mesmo tamanho e usando as mesmas fontes. Cê não sabe se tá indo pro centro ou pra uma loja de tinta. É complicado.

Almoçamos no Gerardo de novo, o que nunca é ruim nem demais. O prato de hoje foi uma pasta ao molho de frutos do mar, que são servidos ainda na casca. Pra se comer com os olhos e com a boca. Lá conheci o Wagner, que também entrou no racha pelo carro. Ele é advogado e instrutor de autoescola. Quer co-piloto melhor preparado que esse? =D

Pagamos o aluguel do Punto (que agora se chama FidumPunto) por uma semana. De lá, partimos pro mercado pra adquirir provisões alimentícias pra casa. A Ester comprou produtos de limpeza e voltamos todos pra cá. A título de curiosidade, comprei uma Fanta daqui de cor preta, cujo nome da fruta me falta agora. A cor da bebida é quase de uma tubaína, mas mais escura. O sabor é algo similar a um anis, mais fraco e com retrogosto amargo. Esquisita que só. Também existe aqui uma fanta meio rosada, que é feita com a Aransia Rossa e bem mais gostosa. O Wagner comprou e eu provei.

Reorganizamos todo o espaço da cozinha, limpamos a louça acumulada e o Thiago fez um arroz com frango e salada que ficou ótimo. Esfumaçou a casa inteira, mas ficou bala. Só não abrimos a janela senão o povo daqui congela. O aquecedor, aliás, deu uma panezinha e o Vincenzo veio até aqui pra arrumar. Vimos como ele fez e agora já sabemos como proceder.

Amanhã, então, será nosso primeiro dia motorizados na Itália. Isso significa, obviamente, que ENFIM conseguirei meu laptop com internet! YAY! O resto das aventuras vocês já sabem: é só continuar visitando todo dia! Té!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 07

O domingão começou meio besta, já que foi o primeiro dia que não desci pra tomar café da manhã. Levantei da cama, tomei um banho, esquentei o Chicken Gourmet de ontem com o secador de cabelo e tomei uma Coca que estava aqui no quarto desde terça. Ainda fria, ainda com gás. Assaz.

Enquanto aguardávamos a Ester vir nos buscar pra fazer algo, uma patcha chuva resolveu dar o ar da graça por aqui. Rolou até relâmpago e trovão, ó! Vale constar que o som do mesmo aqui foi BEM diferente do que eu já tinha ouvido...

Assim que ela chegou, veio a surpresa: nós íamos "nos mudar" do hotel pra casa! Por quê? Porque o guarda passou HOJE CEDO lá pra ver o povo! Sério, acho que foi a risada mais alta que eu dei por aqui até agora. Foi só o Datena sair fora que o truta aparece, é mole?

Juntamos nossas coisas e saímos sem nos despedir do pessoal do hotel, o que foi uma pena. Tô pensando até em voltar lá pra dar um ciao, depois. Paramos no Gerardo pra almoçar e depois fomos pra casa. A Famiglia Cia (sim, esse é o sobrenome deles. MAIS UMA coincidência!) tava terminando de colocar as coisas deles no carro, que ficou completamente entupido. Mesmo sendo uma Mercedes com nove lugares e um espaço gigante no porta-malas, não ia dar pra todos viajarem com conforto. Acabaram saindo do jeito que deu e alugaram um "carro-apoio" mais tarde. Deixaram saudades, aquele grupo.

Aliás... É impressionante como as pessoas conseguem marcar a vida da gente com poucos momentos juntos, não? Fizemos amizade por aqui e tenho certeza que ainda nos veremos muitas vezes mais. Onde quer que seja...

Eles saíram, a gente entrou. Escolhemos nossos quartos, guardamos as malas e começamos a décima edição do Big Brother Itália. Ou Grande Fratello Brasil, como queiram.

Bateu uma molezinha depois do almoço e cochilei no sofá. A Ester achou que eu sentiria frio e me colocou um cobertor enquanto eu dormia. Acabei acordando com calor. Mas o que vale é a intenção, né? =D

Depois que acordei, fomos bater papo na cozinha. Lá, a matriarca da Famiglia Romio estava fazendo café. Detalhe: não tínhamos filtro na cozinha. Então, num exemplo de cozinha McGyver, ela ferveu a água COM o café e usou um coador de suco com um papel-toalha em cima. Formidável! O sabor ficou fantástico e eu aprendi um truque novo!

Mais bate-papo e sentamos frente à TV. Aqui só temos cinco canais, sendo que três pegam com qualidade. Todos eles de propriedade da RAI, que é do governo italiano. Sabiam dessa? Pois é, descobri ontem. Num dos canais, adivinhem só: tava passando Friends em italiano! Era o penúltimo episódio da décima temporada... a dublagem italiana é bizarra, preciso dizer. Mas deu pra tirar um pouco da abstinência.

Então surge Ester nos dizendo que o aquecedor da casa desligou. Tentamos arrumar, mas não rolou. Toca ligar pro Vincenzo, que veio até aqui arrumar o baguio pá nóis. Ele aproveitou e trouxe o Fred, seu Golden Retriever, pra fazer uma visita. O doidão só tem seis meses e quase enfiou meu pé inteiro na boca. O mais legal é que ele é adestrado e só atende a comandos em italiano...

Foram-se os dois, ficamos nós com fome. Como não conseguimos fazer compras antes de vir, nos apropriamos das coisas que os Cia deixaram aqui e o Thiago III (que agora é o único) cozinhou uma Pasta à Minestrone pra quebrar o galho. Valeu, tirou nota sete pelo esforço. Há!

De barriga cheia, já são 01h30 por aqui. começa a chover e isso significa que tá na hora de mimir! Uma ótima noite pra nós e un baccio pra vocês!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 06

Oieam! Tudo dentro? (TM Mó)

O primeiro fim de semana italiano foi relativamente tranquilo já que, durante toda a manhã, aguardamos DE NOVO a presença do ilustríssimo guarda, que... NÃO FOI. Pois é. As duas famílias que tão hospedadas lá na casa não gicaram felizes com isso, mas levaram numa boa. Em compensação, o casal Datena quase explodiu. Eu e o Thiago III (sim, temos TRÊS Thiagos aqui) resolvemos ensiná-los a jogar truco, pra distrair. Deu certo, já que a manhã acabou passando bem rápidão.

Então, quando eram 14h, O casal tinha que ir pro aeroporto... Em ROMA, que fica a 340km daqui. De carona com a Ester, claro. O povo todo do hotel (mais o nosso amigo/guia/zelador/truta Giuliano) se empilhou no carro pra irmos passear um pouco. Quem diria que seria tão divertido?

A ida foi mais calma. Afinal, o som não podia ficar alto, o carro não podia ir muito rápido senão atacava a labirintite e dava enjoo, blablablaAIQUEÓDIO. Sempre previnido, arranquei risadas do povo por ter tirado uma lata de Pringles "Cheesy Cheese" da mochila, mais um Kinder Bueno Bianco. "Nossa , que gordo precavido, hein?" Óbvio, né? Três horas e pedrada num carro e não vou garantir? Ainda mais com o casal Bleargh junto? Té parece.

Largamos ambos no aeroporto TRÊS horas antes do embarque... Porque ELES quiseram, é bom deixar claro. Na volta, paramos sabe onde? McDonald's! Finalmente poderia tirar a prova: os sanduíches são REALMENTE iguais no mundo inteiro?

Bom... O sabor deles é. Realmente, não há NENHUMA diferença entre o Big Mac daqui e o brasileiro. Exatamente iguais... Assim como as batatas fritas e os nuggets. A Coca Light de máquina é diferente, mais gostosa que a das duas latinhas que já provei.

Pra não ficar só no mesmo, segui meu padrão de pesquisa e peguei três outros sanduíches que não constam no cardápio do Brasil: um cheeseburguer duplo com bacon e molho (cujo nome não lembro agora), um Chicken Gourmet num pão diferente (que ainda não comi) e o melhor da noite: Boscaiolo, um sanduíche enorme, de pão quadrado, carne grossa, alface, molho e mais outras coisas deliciosas. CACETA, que sanduba FORMIDÁVEL.

Com a pança cheia, era hora de voltar pra casa. Três horas e cacetada de carro, de noite... Como fazer pra animar o negócio? Música!

Não, melhor: música SERTANEJA, no volume mais alto possível, pra motorista não dormir e todo mundo poder cantar sem ter vergonha. AÊ!

Chegamos aqui com minha goela pedindo arrego. Como já estava tarde, a Ester só nos deixou aqui no hotel e foi pra casa, pra poder curtir o descanso que ela tanto merece.

Uma coisa eu garanto: eu é que não vou acordar daqui a 6 horas SÓ pra timar aquele cafezinho mirradex não. Chupem, vou dormir até às 11h! A Ester só virá aqui ao meio-dia, mesmo...

Até amanhã então, hein? Aquele abraço efusivo!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 05

É... Quem foi que falou que tudo aqui seria perfeito? De uma hora pra outra, sem nenhum tipo de aviso, o pouco de internet que eu tinha (pagando um roaming absurdo de R$0,03 por kb trafegado) simplesmente desapareceu. É por isso que vocês não tiveram sua dose diária de Parla, Guto! na quinta e nem na sexta. A boa notícia é: se vocês estão lendo isso aqui, eu já tenho internet! Ê!

A sexta-feira foi mega-tranquila, já que também passamos o dia aguardando o guarda dar as caras por lá. Não foi. Ainda que alguns de nós conseguimos escapar e ir até o mercado fazer algumas compras. Na volta, outro desmoronamento fez com que fôssemos obrigados a dar uma PATCHA volta pra chegar no local. Como tivemos sol durante uma boa parte do dia, a paisagem que já é linda ficou ainda melhor. Quando eu conseguir upar a fotos que tirei, vocês saberão.

Comprei um Kinder Bueno branco, aqui. Formidável. Também comprei um salgadinho diferentão e uma Pringles de queijo por 1,80€. ACHO que é assim que escreve certo os preços por aqui... não tenho certeza.

Por volta das 17h, estávamos na casa e as moças de mão mágica prepararam o almoço coletivo. Delicioso e econômico! Parabéns e agradecimentos eternos às nossas compatriotas, que salvaram os estômagos da galera.

Ao fim da noite, bebemos a cerveja belga que tinha comprado, congelado e recuperado, mais alguns goles de whisky long-neck (não perguntem) e voltamos pra casa ao som de Chitãozinho e Xororó. Uns quarenta minutos depois de eu estar deitado na cama, alguns dos trutas da casa me ligaram para ir pra uma balada em Salerno. Como é de minha natureza arregona de baladas, acabei deixando pra próxima. Mas que um dia desses eu vou lá, ah... Eu vou.

Até a próxima, então... Arrivederci!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 04

AaAaAaAaAai, ai. Infelizmente, hoje não tenho muita coisa pra escrever. Acordei, cafCAPUCCINO de manhã e saímos pra comprar os ingredientes do tal churrasco que faríamos hoje. Deu pra perceber que algo deu errado, né? Pois então.

Pra começo de conversa, a grelha/churrasqueira da casa da galera estava boa só pra cozinhar uma coisa: filé de tétano. Tem ferrugem suficiente ali pra cozinhar um desses pra todas as 22 pessoas que estão na casa hoje. Assim que soubemos disso, Ester sugeriu fazermos uma pasta à bolonhesa e picotar a carne que já tinham comprado, fazendo uma espécie de "strogonoff sem molho" com ela.

Comprei algumas roupas mais compatíveis com o frio daqui (que não me incomoda, mas pelo menos são do tamanho certo. BOSTA DE GORDO) e viemos pra casa do "Big Brother Castellabate".

Algum tempo depois, o almoço foi servido. Aproveitei pra colocar as duas cervejas belgas que eu tinha comprado no freezer, pra gelar. Bebemos uma delas enquanto comíamos, batemos papo e acabei cochilando no sofá na sequência.

CÁSPITA, e a outra? Congelou e começou a vazar. Tirei ela da geladeira e deixei em cima da pia, pra bebê-la assim que ela descongelar. Jogar fora? NEM FERRANDO.

Ficamos todo o dia dentro da casa, que é mais ou menos o que eu já tava me preparando pra fazer. Mas isso SE eu já tivesse internet BOA e um notebook, né?O punheto do Guarda não veio e todo mundo acabou dando uma mofada "à toa".

A noite caiu e decidimos ir todos os brasileiros (22, lembra?) pro mesmo restaurante que fui quando cheguei. O dono do lugar até assustou quando entramos, mas agilmente conseguiu ajeitar o espaço e nos acomodou com
maestria. Levamos uns dez minutos pra fazer os pedidos. As bebidas chegaram antes, e pedi o mesmo vinho-refrigerante da Martini que provei antes. O povo que rachou comigo aprovou.

Pra forrar a pança, o prato escolhido foi um Rizzo Quattro Formaggi acompanhado de uma Coteleta Millanesa. Muito bons, ambos.

Depois que terminamos de comer, começamos a bater papo. Foi aí que o preenchimento de bagos que foi toda a tarde mudou pra noite mais divertida de todas. Pude conhecer melhor a "Grande Família", gente do mais alto garbo e elegância que marcou esse pedacinho da minha existência da melhor forma possível.

Conversamos sobre os motivos que nos levaram até aqui, sobre trabalho (o Pai, Eduardo, é dono de uma academia!), sobre apresentadores de televisão sem semancol e por aí vai. Enquanto papeávamos, dois casais entraram no restaurante (que também é um bar) e um dos homens, que o pessoal da mesa acreditou ser um cigano, chegou na Ester e desatou a falar.

Aqui cabe um parêntese: os ciganos, geralmente romenos, são odiados aqui na Itália. São sinônimo de ladrões, charlatões e outros "ões" igualmente desagradáveis. Sei que, como toda generalização, muita gente boa acaba sofrendo com o racismo. Mas como sou novato aqui, tenho que ficar especialmente esperto. Ainda mais com um tipinho daquele, que praticamente ofereceu a mina dele pra um dos solteirões da mesa.

Algumas risadas mais tarde, trouxemos todoa pra conhecer Il Cenito, o hotel onde estamos. Como não podia deixar de ser, todos se apaixonaram pela beleza do local. Realmente, no aspecto físico e acomodações, é exatamente o que eu tinha em mente quando pensava em Europa.

Mais algumas risadas e o povo voltou pra casa, pra descansar e se preparar pra mais um dia de espera pelo Guarda. Como bom administrador que sou, tranquei tudo e vim pro quarto.

Agora vou dormir que amanhã cedo é dia cheio, mais uma vez. Mas agora eu vou preparado, pode esperar.

Té amanhã, então! "Datena", pereça!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 03

Nossa, acordar hoje cedo foi complicado. Dormi bem, mas pouco. Umas cinco horas, acho... Tava com um patcha sono na hora do "café". Coloco aspas mesmo porque nem isso a gente teve, hoje. Não faço idéia de como são os costumes alimentares matutinos dos italianos, mas café-da-manhã TEM que ter café! O meu só veio depois, quando desci de novo pra aguardar a chegada da Ester. Não aquele "cuspe" mega-concentrado, já que hoje pedi cappuccino. Mas a porra sai da máquina FRIO! Mordi.

Beleza, vai. Assim que ela chegou, saímos para o que foi o dia mais turístico de todos os três que já passei aqui. O parceiro Juliano tava junto com ela, e o truta (que é formado em Hotelaria e Turismo e tá aqui - no mesmo esquema -há quase um ano) tá fazendo as vezes de guia. Gente finíssima, sem dúvida. Logo que saímos, fomos até o porto próximo daqui. O lugar é muito bonito (TUDO é lindo aqui, cáspita!), aproveitei pra tirar umas fotos com a câmera. De lá, encontramos com o resto do pessoal para irmos numa fábrica de muçarela (sim, É com cedilha) de búfala. Claro que lá também faziam sorvetes e iogurtes, mas o mote principal era o queijinho, que nada tem de inho.

Íamos comprar porções pequenas para comermos na hora, mas uma maldita gorda (EU ODEIO GORDO!) passou na frente e levou TODAS as pequeninas. Nos sobraram as grandes, que tinham acabado de ser feitas. Entendam grandes como peças do tamanho de MELÕES. Por estarem ainda muito quentes, não pudermos comer na hora. Ficaram pra janta, então.

Ainda com fome, pegamos estrada para comer em um lugar conhecido pelo pessoal daqui: o Franco's Pizza. É uma rede famosa aqui, aparentemente. Com o estômago doendo de tão vazio, pedi um Panuozzo mezzo Franco's mezzo Porcellino, que nada mais é do que uma espécie de calzone achatado, de massa fina, com 70cm de comprimento por 10cm de largura. A fome tava tanta que eu até esqueci de fotografar o rango. Droga. Pelo menos tomei uma Coca Zero, que aqui é IGUAL à normal e, por consequência, BEM melhor que a Light.

Agora de pança cheia, resolvemos ir até uma outra cidade, conhecida por suas casas encravadas nas rochas ao pé dos morros. O local é de uma beleza tão absurda que enchi um cartão de 4GB com imagens que espero que façam jus. Formidável ao extremo, mesmo com ruelas estreitíssimas.

Ao chegarmos perto do nosso destino turístico final, outro desabamento nos impediu de proseguir. Dessa vez, foram as pedras que compõem as encostas que caíram na pista. Funcionários da prefeitura estavam lá para fazer a manutenção, o que levou cerca de meia hora pra acabar. Demos meia-volta e paramos num bairrinho comercial para que alguns de nós comprassem algumas bugigangas. Eu só comprei cigarro e uma cerveja. Uma amiga comprou uma "bola" de sorvete, sem perguntar o preço antes de comer. O puto do italiano percebeu que ela era turista e cobrou CINCO EUROS na bosta! Sem jeito pra fazer barraco, ela acabou pagando e ficou por isso mesmo.

O dia já era noite fechada quando voltamos para casa. O sinal do rádio estava ruim, então sugeriram um CD. Como não havia nenhum no carro, a solução foi ligar o meu iPhone no som (via cabo que já faz parte do equipamento do automóvel). Apesar de mostrar um recado de incompatibilidade, funcionou perfeitamente. A tela de LCD touchscreen virou o controle do iPhone e ouvimos desde Andrea Bocelli a César Menotti & Fabiano. Sempre cantando junto, claro. Uma coisa que percebi: minha barriga tá tão grande que me atrapalhou até pra cantar. Fiquei puto e agora, mais do que nunca (TM Fausto), vou fazer algo pra resolver isso.

Chegando no hotel, tomei um banho pra tirar a nhaca e jantamos a tal mozarela (outra forma correta de se escrever o nome em português) com pão italiano (óbvio!), azeite e tomates-cereja. Vinho frisante pra acompanhar.

Batemos um pouco de papo, finalizamos a janta e o dia chegou ao fim. Amanhã o fiscal vai passar na casa onde todos estão morando, e será recebido com um churrascão. Tomara que encontremos pinga pra fazer caipirinha pro homem (cabe aqui um detalhe: os limões daqui são amarelos e do tamanho de mamões!)...

Acredito que, por conta disso, talvez fiquemos aqui no hotelzim somente mais um dia. Vou fotografar tudo e, assim que me acertar com internet e computador, publico as imagens que já tenho até agora pra vocês babarem. =D

Buona notte per tutti, fino a domenico!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE!- Dia 02

Oi! Caramba, como eu dormi bem. Somar frio, cama confortável e edredom pesado não tem como dar errado.

Assim que levantei, desci pra tomar o café. Bem... Acho que não chamam de café aqui não. Olha só a porção que veio pra mim: uma micro xícara. PELA METADE.

Eu até ficaria tenso com isso, mas uma coisa daqui me tirou completamente a atenção da bebida: sachet de Nutella! Giovanni e Ester chegaram logo depois. Resolvemos as particularidades técnicas e também aprendi como conseguir "café de verdade": é só pedir um capuccino que vem o café-com-leite que todos conhecemos. Testarei amanhã.

Na sequência, fomos até um centrinho comprar um chip italiano para que pudessem entrar em contato comigo mais facilmente. Depois de uma passada rápida pela lan-house (onde um Wii Fit estava à venda por €95), a fome bateu. Em uma espécie de mini-mercado, compramos panino di salami i formaggio pra almoço (peguei um de mortadela também), e uma Coca Light (amarga, normal aqui é melhor!).

No caminho para a casa onde ficarei à partir de quinta, uma surpresa: um barranco desabou e bloqueou a estrada, que aqui são EXTREMAMENTE apertadas. Um voluntário estava pela estrada para limpá-la, mas disse que demoraria mais de hora. Com um panino e uma cerveja, mais a promessa de ajuda, ele mudou de idéia rapidinho. Saímos do carro, e junto do senhor estava um pastor alemão enorme, peludão, super manso... E totalmente emporcalhado de terra. Fui brincar com ele e me sujei inteiro, além de afundar o pé na lama. Quem liga? Tô na Itália, trutá! TUDO é lindo. =D

Árvores fora do caminho, fomos visitar a casa definitiva e conhecemos outros brasileiros que lá já eatavam. Pessoal MUITO legal, mulheres FROXO e um companheiro de profissão, ciclista. Uma hora depois, fomos encontrar com o proprietário da casa (o Vincenzo, que é casado com uma baiana); de lá, visitamos a propriedade de verão do rapaz (que fica NA FRENTE de um mar que é tão límpido que tem profundidade visível de DEZ METROS. A porra da praia é patrimônio da UNESCO, pra vocês terem noção). Como aqui agora tá frio e nublado, não deu pra curtir nada disso. Cuén.

Voltei aqui pro hotel, tirei uma soneca e tomei um banho ao acordar. Aqui cabe todo um capítulo acerca dos banheiros italianos em geral.

Pra começo de conversa, não há lixo para papel higiênico. Tudo que você fizer e usar pra se limpar vai direto pro vaso. A válvula da descarga tem dois botões; eu já tinha visto privadas com isso, onde um jato com menos água resolvia líquidos e outro mais forte cuidava do resto. Aqui são ambos iguais, pelo que percebi. Uma micro lata de lixo fica embaixo da pia, para cotonetes, absorventes e outras coisas de algodão. Mas papel, mesmo, vai todo pro esgoto.

Tudo pronto, desci para aguardar a carona do Vincenzo para a pizzaria. Enquanto esperava, ao longe um italiano assobiava e chamava por seu cão, que tinha saído. De todos os nomes que o bicho poderia ter, em todos os locais do mundo, sabe o que ele gritava? Doco! Dooco! Puta merda, até arrepiei.

Chegou atrasado, quinze minutos. Usei um guia de italiano pra viagens que instalei no iPhone pra decorar uma saudação e, assim que ele chegou, falei:

Buonna sera, Vincenzo. Come stai, va benne? Piacere de incontrarlo.


Pra quê, maluco! Ele achou que eu sabia italiano e disparou a falar sem parar! Depois que explique que só tinha decorado aquela frase, travamos uma conversa de portinglêsaliano que me doeu na alma, mas no fim nos comunicamos o suficiente para sabermos um pouco mais um da vida do outro.

Ao chegarmos na pizzaria, todo o resto dos brasileiros já estava sentado numa mesa enorme. Sentamos e, em
cinco minutos, as pizzas começaram a chegar. Provei quatro sabores: mussarela, salsicha com batatas (é tipo uma linguiça, com erva-doce no meio); brócolis com salsicha (a mesma) e uma de napolitana, que tinha uma calabresa apimentada que me fez transpirar. Tudo isso regado a vinho frisante. É, agora eu tomo vinho. o_O

Com a pança cheia, voltamos ao hotel. O povo tá pasaando perrengue com o sistema de aquecimento do prédio, que não tá funcionando legal. Pra mim tá ÓTIMO, a temperatura tá em volta de uns 10•... perfeita pra dormir. Com mais duas pessoas hospedadas aqui, agora somos cinco.

Às 02h09, horário local, termino o resuminho de hoje. Vou dormir que o café é cedo! Un baccio a tutti!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

PARLA, BELFIORE! - Dia 01

Dez horas de voo, um comissário de bordo revoltadinho e a impressionante sensação de que eu fui ficando mais feio a cada km que me distanciava da costa nacional depois, cá estou eu em Roma, na Itália.

Não posso esquecer de citar a aeromoça que não sei o nome, mas TEM que ser italianinha. FROXO. Fotografei, mas não sei se a imagem ficou boa. Depois eu coloco imagens aqui pra ilustrar.

Ah! E o sistema de diversão multimídia do avião, então? MUITO FODA! Mesmo estando meio baleadinho (assim como todo o avião), me manteve ocupado o suficiente. Nem peguei o PSP na mala!

Filmes disponíveis na bagacinha: Batman - o Cavaleiro das Trevas, Homem de Ferro, Hancock, Indiana Jones, Speed Racer e mais dez outras opções. Fenomenal.

Infelizmente, não posso dizer o mesmo do povo italiano. Tá certo que eu sou o único gordo de camiseta amarela coladzinha e bermuda da CIDADE (que apresentava temperatura de 10•C), mas todos os que cruzei até agora são de uma grosseria de fazer inveja a muito funcionário público brasileiro. Decepcionante... Fora o choque elétrico que tomei na escada rolante. Juro que procurei por filmadoras do "Candid Camera" na hora, mas não achei nada.

Passeando pelo aeroporto de Roma pra matar um tempo, vi trocentas lojas de roupas (caras), perfumes (nem vi), e eletrônicos (baratos!). Visitei o McDonald's local, e o cardápio do café da manhã é interessante. Eu ia fotografar, mas a caixa deu um chilique e não deixou. Compreendo regras, mas não havia nada escrito lá. Estupidez não tem pretexto... NO PICTCHUR!

Depois de esperar por uma hora a mais do que o esperado, finalmente embarquei para Nápoles. Já falei que TODO MUNDO ficou me olhando por conta da roupa? Então. Nevou em Milão, e a equipe de bordo do meu avião tava vindo de lá. Nem preciso dizer que todos chegaram com cara de merda, né?

Pelo menos o traje (que me fez virar atração turística - tiraram foto comigo. o_O) facilitou pro Giovanni, que me encontrou assim que saí do desembarque. Apresentações feitas, fomos ao encontro da Ester, sua esposa. Ela dá um chiliquinho por conta da minha roupa (MAS QUE CATZO!) e, dentro do carro, me reúno com outras três pessoas que também estão por aqui pelo mesmo motivo que eu. Paramos em um pequeno restaurante pra, enfim, comer algo (não comi no Mc porque achei que teria rango no voo atrasado. Pffs. Só tinha um maldito bebê chorando, o que prova que "A Maldição da Cigana" tem força MUNDIAL).

Depois de comermos gnocci ao molho seiláoquê (pareceu molho de tomate caseiro) e sardela (o próprio peixe frito, não o "patê"), nos dirigimos ao local que ficarei por dois dias. É um pequeno hotel, não tem nem um ano. É LINDO, sem dúvida. Tudo novinho, assaz. Mas o box do banheiro é minúsculo e o sistema de aquecimento DO MEU quarto tá "bloqueado" (nas palavras da dona, que prometeu arrumar amanhã). Tomei um banho, mergulhei na camona de casal e vim aqui contar tudo pra vocês.

Resumidamente, essa foi a minha saída do Brasil / chegada à Itália. Se eu me lembrar de outros detalhes, atualizo isso aqui. Senão, amanhã de noite tem mais!