quinta-feira, 5 de março de 2009

De volta ao inferno

Trinta e não sei quantos graus. Sensação térmica de cinquenta. Aperto, desconforto, gritaria e falta de educação. Bem vindo ao Brasil!

Os dois últimos dias na Itália, pós desabafo do último post, foram muito legais. Me despedi de todos os "amigos" que fizemos por lá, tirei mais algumas fotos e comprei as lembrancinhas pra família. Comi tudo que poderia ter comido e, na terça-feira, devolvi o carro pra locadora segundos antes de irmos embora pra Roma. No voo de lá, tudo tranquilo. Embarcamos com calma, civilidade e aquele monte de coisas que a gente não vê aqui no Brasil.

Vale citar que a calma foi tanta que embarcamos com quase duas horas de atraso. Eu já tinha certeza que isso refletiria na minha conexão com Floripa, já que a chegada no Brasil por volta das 06h (a original, sem atraso) e a saída às 07h40 eram irreais desde o momento em que foram marcadas. Ridículo por parte da CVC, mas o que se pode fazer?

Chegamos no Brasil às 07h. Corri feito um retardado pra ver o que conseguiria fazer, só pra dar de cara com um mar composto de, aproximadamente, 600 pessoas aguardando por suas malas e indo em direção à alfândega. Na Itália haviam me dito que a mala seguia direto para Floripa, mas as regras da aviação brasileira (VAIBRASIL!) OBRIGAM a TODAS as bagagens serem retiradas no primeiro aeroporto em que se pousa. Ou seja: carregar duas malas imensas aeroporto de Guarulhos afora. Bem gostoso.

Cheguei então às esteiras, e a que marcava o meu voo era a de número 15. 20 minutos de pé, sendo empurrado, pisoteado e espancado por malas dos outros (que sequer se davam ao trabalho de pedir desculpas), vem o aviso no áudio: "As malas do voo de Roma estarão disponíveis na esteira 16". VAI, BRASIL!

Enquanto ia para a esteira do lado, duas (sim, DUAS) crianças choravam a plenos pulmões. Era a Maldição da Cigana voltando pra tirar todo o atraso. Não preciso nem dizer que é ÓBVIO que as duas malditas fedelhas estavam no colo de seus pais, que por consequência estavam LOGO ATRÁS de mim. CLARO. Mais 15 minutos de espera e pego minhas malas. Agora, é ir pra fila da alfândega.

Pra quem fez as contas, já viu que meu voo pra Florianópolis já tinha ido pro cacete. Então, foda-se. Vamos fazer tudo com calma e depois eu vejo o que fazer. A fila da alfândega consumiu mais 15 minutos, sendo que todos os que marcaram "nada a declarar" naquela guia que nos entregam no avião estavam passando sem qualquer tipo de vistoria. Até aí, beleaza. Mas não havia a MENOR necessidade dos policiais federais que lá estavam OFENDEREM a TODOS os que estavam na fila, no intuito de que acelerássemos.

Eu NUNCA tinha passado por aquela merda. Isso não me dá o direito de não saber pra onde ir, ainda mais com tudo tão mal sinalizado? Coitada da senhora na minha frente, que ainda foi chamada de BURRA e nada pode fazer. Pra mim, a frase foi "ENTRA POR AQUI, PORRA! ACELERA, TÁ MUITO CHEIO!". A culpa é minha daquela merda ser tão horrível? Por um acaso fui EU quem fodeu com esta bosta de país?

Fui até o escritório da TAM, onde fui, pela primeira vez em solo brasileiro, bem tratado. A moça remarcou meu voo para 15h35, que era o próximo. Pensei eu que teria direito a hospedagem ou alimentação por conta do atraso, e ela me pediu que eu visse isso com a Alitalia, que era a empresa responsável "por todos os voos". Isso porque, claro, era conexão.

Lá no escritório da Alitalia encontro com uma moça que estava no avião comigo e também precisava remarcar a passagem. Conversamos um pouco e lá veio o Wagner, que também queria mudar o voo. Então, 20 minutos mais tarde, o escritório abre e lá vamos nós. Mudaram a da moça sem problemas, e conferiram a minha mudança. Tudo certo. Pro Wagner, nada poderiam fazer, porque ele comprou o voo em separado. A Alitalia atrasou e ele não conseguiu embarcar às 08h30, e não tinha direito a nada "de graça" porque NÃO ERA CONEXÃO. Ele discutiu, gritaram lá dentro da salinha, mas foda-se. Não dá, não dá. Bola pra frente. Ele saiu bufando da sala e eu fui perguntar se tinha direito a alguma coisa.

A ANAC permite que as companhias aéreas atrasem até QUATRO HORAS o voo. Depois disso, eles são obrigados a fornecer alimentação e hospedagem. Como não foi o meu caso... FODA-SE. VAAAAI, BRASIL!

Sem ter o que fazer, fui até o banheiro com as malas pra colocar uma roupa mais apropriada à temperatura infernal dessa terra dos diabos. Depois disso, tentei despachar a minha mala, mas não poderia fazê-lo porque as malas só podem entrar quatro horas antes do voo. VAAAAAAAAI, BRASIL!

Fomos comer algo, papeamos um pouco e, quando percebi, já eram 11h30. Eles embarcaram pra Minas e eu fiquei lá, esperando pra despachar as maletas. 12h e eu consigo fazê-lo, mas não antes de aguardar o sistema da TAM colaborar com o meu caso. Entro na área de embarque e decido gastar um pouquinho dos Euros que ainda ficaram comigo.

Pago por uma "massagem express" de meia hora e complemento a mesma com um chopp e uma porção de "calabresa afogada na cachaça" no Devassa lá de dentro. Pensei em ligar meu notebook, mas a tomada italiana não entrava em nenhuma tomada de lá. Como já tava sem carga por eu ter assistido a seriados dentro do avião... CUÉN. iPhone salva a pátria e me facilita a vida ao permitir que eu atualize a todos da minha posição.

Três horas mais tarde, embarco pra Florianópolis. Voo tranquilo, chegada nem tanto. O calor que em SP tava um saco, aqui estava (e ainda está) absurdamente cretino. Para situar vocês, eu estava encarando TRINTA GRAUS DE VARIAÇÃO. Some a isso o fato de estar rodeado de manezinhos (tava TÃO BOM ficar sem ouvir este MALDITO sotaque) e pronto. Tava tudo uma bosta.

Até que a Lindona me recebeu lá dentro. Nos beijamos e fomos até o carro. No meio do caminho, um cachorro foi atropelado na nossa frente. Nada poderíamos fazer, já que o caminhão que passou por cima dele o rasgou no meio. Infelizmente, ele ainda estava vivo e NINGUÉM dali de perto se prestou a socorrer o bicho. Ela começou a chorar (com razão) e aí eu REALMENTE percebi que, não importa com quem você esteja nem quão especial essa pessoa seja: o Brasil ACABA com você.

Chegamos em casa e fiz de tudo pra não deixar aquela noite terminar num lixo. Dei a ela os presentinhos, saímos pra comer comida japonesa (que não tem lá na Itália, pelo menos por onde andei) e voltamos pra casa pra poder curtir o refresco do meu ar-condicionado.

...

Pois bem, Brasil. A partir de segunda-feira, começo a me preparar pra deixar você de vez. E farei tudo, TUDO que me for possível pra levar daqui todos aqueles que eu gosto, porque é até falta de educação deixá-los por aqui.

Foda-se, país de merda.