Nerd, Operado, Branco e Egocêntrico
Blog pessoal de uma pessoa blog.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quinta-feira, 5 de março de 2009
De volta ao inferno
Trinta e não sei quantos graus. Sensação térmica de cinquenta. Aperto, desconforto, gritaria e falta de educação. Bem vindo ao Brasil!
Os dois últimos dias na Itália, pós desabafo do último post, foram muito legais. Me despedi de todos os "amigos" que fizemos por lá, tirei mais algumas fotos e comprei as lembrancinhas pra família. Comi tudo que poderia ter comido e, na terça-feira, devolvi o carro pra locadora segundos antes de irmos embora pra Roma. No voo de lá, tudo tranquilo. Embarcamos com calma, civilidade e aquele monte de coisas que a gente não vê aqui no Brasil.
Vale citar que a calma foi tanta que embarcamos com quase duas horas de atraso. Eu já tinha certeza que isso refletiria na minha conexão com Floripa, já que a chegada no Brasil por volta das 06h (a original, sem atraso) e a saída às 07h40 eram irreais desde o momento em que foram marcadas. Ridículo por parte da CVC, mas o que se pode fazer?
Chegamos no Brasil às 07h. Corri feito um retardado pra ver o que conseguiria fazer, só pra dar de cara com um mar composto de, aproximadamente, 600 pessoas aguardando por suas malas e indo em direção à alfândega. Na Itália haviam me dito que a mala seguia direto para Floripa, mas as regras da aviação brasileira (VAIBRASIL!) OBRIGAM a TODAS as bagagens serem retiradas no primeiro aeroporto em que se pousa. Ou seja: carregar duas malas imensas aeroporto de Guarulhos afora. Bem gostoso.
Cheguei então às esteiras, e a que marcava o meu voo era a de número 15. 20 minutos de pé, sendo empurrado, pisoteado e espancado por malas dos outros (que sequer se davam ao trabalho de pedir desculpas), vem o aviso no áudio: "As malas do voo de Roma estarão disponíveis na esteira 16". VAI, BRASIL!
Enquanto ia para a esteira do lado, duas (sim, DUAS) crianças choravam a plenos pulmões. Era a Maldição da Cigana voltando pra tirar todo o atraso. Não preciso nem dizer que é ÓBVIO que as duas malditas fedelhas estavam no colo de seus pais, que por consequência estavam LOGO ATRÁS de mim. CLARO. Mais 15 minutos de espera e pego minhas malas. Agora, é ir pra fila da alfândega.
Pra quem fez as contas, já viu que meu voo pra Florianópolis já tinha ido pro cacete. Então, foda-se. Vamos fazer tudo com calma e depois eu vejo o que fazer. A fila da alfândega consumiu mais 15 minutos, sendo que todos os que marcaram "nada a declarar" naquela guia que nos entregam no avião estavam passando sem qualquer tipo de vistoria. Até aí, beleaza. Mas não havia a MENOR necessidade dos policiais federais que lá estavam OFENDEREM a TODOS os que estavam na fila, no intuito de que acelerássemos.
Eu NUNCA tinha passado por aquela merda. Isso não me dá o direito de não saber pra onde ir, ainda mais com tudo tão mal sinalizado? Coitada da senhora na minha frente, que ainda foi chamada de BURRA e nada pode fazer. Pra mim, a frase foi "ENTRA POR AQUI, PORRA! ACELERA, TÁ MUITO CHEIO!". A culpa é minha daquela merda ser tão horrível? Por um acaso fui EU quem fodeu com esta bosta de país?
Fui até o escritório da TAM, onde fui, pela primeira vez em solo brasileiro, bem tratado. A moça remarcou meu voo para 15h35, que era o próximo. Pensei eu que teria direito a hospedagem ou alimentação por conta do atraso, e ela me pediu que eu visse isso com a Alitalia, que era a empresa responsável "por todos os voos". Isso porque, claro, era conexão.
Lá no escritório da Alitalia encontro com uma moça que estava no avião comigo e também precisava remarcar a passagem. Conversamos um pouco e lá veio o Wagner, que também queria mudar o voo. Então, 20 minutos mais tarde, o escritório abre e lá vamos nós. Mudaram a da moça sem problemas, e conferiram a minha mudança. Tudo certo. Pro Wagner, nada poderiam fazer, porque ele comprou o voo em separado. A Alitalia atrasou e ele não conseguiu embarcar às 08h30, e não tinha direito a nada "de graça" porque NÃO ERA CONEXÃO. Ele discutiu, gritaram lá dentro da salinha, mas foda-se. Não dá, não dá. Bola pra frente. Ele saiu bufando da sala e eu fui perguntar se tinha direito a alguma coisa.
A ANAC permite que as companhias aéreas atrasem até QUATRO HORAS o voo. Depois disso, eles são obrigados a fornecer alimentação e hospedagem. Como não foi o meu caso... FODA-SE. VAAAAI, BRASIL!
Sem ter o que fazer, fui até o banheiro com as malas pra colocar uma roupa mais apropriada à temperatura infernal dessa terra dos diabos. Depois disso, tentei despachar a minha mala, mas não poderia fazê-lo porque as malas só podem entrar quatro horas antes do voo. VAAAAAAAAI, BRASIL!
Fomos comer algo, papeamos um pouco e, quando percebi, já eram 11h30. Eles embarcaram pra Minas e eu fiquei lá, esperando pra despachar as maletas. 12h e eu consigo fazê-lo, mas não antes de aguardar o sistema da TAM colaborar com o meu caso. Entro na área de embarque e decido gastar um pouquinho dos Euros que ainda ficaram comigo.
Pago por uma "massagem express" de meia hora e complemento a mesma com um chopp e uma porção de "calabresa afogada na cachaça" no Devassa lá de dentro. Pensei em ligar meu notebook, mas a tomada italiana não entrava em nenhuma tomada de lá. Como já tava sem carga por eu ter assistido a seriados dentro do avião... CUÉN. iPhone salva a pátria e me facilita a vida ao permitir que eu atualize a todos da minha posição.
Três horas mais tarde, embarco pra Florianópolis. Voo tranquilo, chegada nem tanto. O calor que em SP tava um saco, aqui estava (e ainda está) absurdamente cretino. Para situar vocês, eu estava encarando TRINTA GRAUS DE VARIAÇÃO. Some a isso o fato de estar rodeado de manezinhos (tava TÃO BOM ficar sem ouvir este MALDITO sotaque) e pronto. Tava tudo uma bosta.
Até que a Lindona me recebeu lá dentro. Nos beijamos e fomos até o carro. No meio do caminho, um cachorro foi atropelado na nossa frente. Nada poderíamos fazer, já que o caminhão que passou por cima dele o rasgou no meio. Infelizmente, ele ainda estava vivo e NINGUÉM dali de perto se prestou a socorrer o bicho. Ela começou a chorar (com razão) e aí eu REALMENTE percebi que, não importa com quem você esteja nem quão especial essa pessoa seja: o Brasil ACABA com você.
Chegamos em casa e fiz de tudo pra não deixar aquela noite terminar num lixo. Dei a ela os presentinhos, saímos pra comer comida japonesa (que não tem lá na Itália, pelo menos por onde andei) e voltamos pra casa pra poder curtir o refresco do meu ar-condicionado.
...
Pois bem, Brasil. A partir de segunda-feira, começo a me preparar pra deixar você de vez. E farei tudo, TUDO que me for possível pra levar daqui todos aqueles que eu gosto, porque é até falta de educação deixá-los por aqui.
Foda-se, país de merda.
Os dois últimos dias na Itália, pós desabafo do último post, foram muito legais. Me despedi de todos os "amigos" que fizemos por lá, tirei mais algumas fotos e comprei as lembrancinhas pra família. Comi tudo que poderia ter comido e, na terça-feira, devolvi o carro pra locadora segundos antes de irmos embora pra Roma. No voo de lá, tudo tranquilo. Embarcamos com calma, civilidade e aquele monte de coisas que a gente não vê aqui no Brasil.
Vale citar que a calma foi tanta que embarcamos com quase duas horas de atraso. Eu já tinha certeza que isso refletiria na minha conexão com Floripa, já que a chegada no Brasil por volta das 06h (a original, sem atraso) e a saída às 07h40 eram irreais desde o momento em que foram marcadas. Ridículo por parte da CVC, mas o que se pode fazer?
Chegamos no Brasil às 07h. Corri feito um retardado pra ver o que conseguiria fazer, só pra dar de cara com um mar composto de, aproximadamente, 600 pessoas aguardando por suas malas e indo em direção à alfândega. Na Itália haviam me dito que a mala seguia direto para Floripa, mas as regras da aviação brasileira (VAIBRASIL!) OBRIGAM a TODAS as bagagens serem retiradas no primeiro aeroporto em que se pousa. Ou seja: carregar duas malas imensas aeroporto de Guarulhos afora. Bem gostoso.
Cheguei então às esteiras, e a que marcava o meu voo era a de número 15. 20 minutos de pé, sendo empurrado, pisoteado e espancado por malas dos outros (que sequer se davam ao trabalho de pedir desculpas), vem o aviso no áudio: "As malas do voo de Roma estarão disponíveis na esteira 16". VAI, BRASIL!
Enquanto ia para a esteira do lado, duas (sim, DUAS) crianças choravam a plenos pulmões. Era a Maldição da Cigana voltando pra tirar todo o atraso. Não preciso nem dizer que é ÓBVIO que as duas malditas fedelhas estavam no colo de seus pais, que por consequência estavam LOGO ATRÁS de mim. CLARO. Mais 15 minutos de espera e pego minhas malas. Agora, é ir pra fila da alfândega.
Pra quem fez as contas, já viu que meu voo pra Florianópolis já tinha ido pro cacete. Então, foda-se. Vamos fazer tudo com calma e depois eu vejo o que fazer. A fila da alfândega consumiu mais 15 minutos, sendo que todos os que marcaram "nada a declarar" naquela guia que nos entregam no avião estavam passando sem qualquer tipo de vistoria. Até aí, beleaza. Mas não havia a MENOR necessidade dos policiais federais que lá estavam OFENDEREM a TODOS os que estavam na fila, no intuito de que acelerássemos.
Eu NUNCA tinha passado por aquela merda. Isso não me dá o direito de não saber pra onde ir, ainda mais com tudo tão mal sinalizado? Coitada da senhora na minha frente, que ainda foi chamada de BURRA e nada pode fazer. Pra mim, a frase foi "ENTRA POR AQUI, PORRA! ACELERA, TÁ MUITO CHEIO!". A culpa é minha daquela merda ser tão horrível? Por um acaso fui EU quem fodeu com esta bosta de país?
Fui até o escritório da TAM, onde fui, pela primeira vez em solo brasileiro, bem tratado. A moça remarcou meu voo para 15h35, que era o próximo. Pensei eu que teria direito a hospedagem ou alimentação por conta do atraso, e ela me pediu que eu visse isso com a Alitalia, que era a empresa responsável "por todos os voos". Isso porque, claro, era conexão.
Lá no escritório da Alitalia encontro com uma moça que estava no avião comigo e também precisava remarcar a passagem. Conversamos um pouco e lá veio o Wagner, que também queria mudar o voo. Então, 20 minutos mais tarde, o escritório abre e lá vamos nós. Mudaram a da moça sem problemas, e conferiram a minha mudança. Tudo certo. Pro Wagner, nada poderiam fazer, porque ele comprou o voo em separado. A Alitalia atrasou e ele não conseguiu embarcar às 08h30, e não tinha direito a nada "de graça" porque NÃO ERA CONEXÃO. Ele discutiu, gritaram lá dentro da salinha, mas foda-se. Não dá, não dá. Bola pra frente. Ele saiu bufando da sala e eu fui perguntar se tinha direito a alguma coisa.
A ANAC permite que as companhias aéreas atrasem até QUATRO HORAS o voo. Depois disso, eles são obrigados a fornecer alimentação e hospedagem. Como não foi o meu caso... FODA-SE. VAAAAI, BRASIL!
Sem ter o que fazer, fui até o banheiro com as malas pra colocar uma roupa mais apropriada à temperatura infernal dessa terra dos diabos. Depois disso, tentei despachar a minha mala, mas não poderia fazê-lo porque as malas só podem entrar quatro horas antes do voo. VAAAAAAAAI, BRASIL!
Fomos comer algo, papeamos um pouco e, quando percebi, já eram 11h30. Eles embarcaram pra Minas e eu fiquei lá, esperando pra despachar as maletas. 12h e eu consigo fazê-lo, mas não antes de aguardar o sistema da TAM colaborar com o meu caso. Entro na área de embarque e decido gastar um pouquinho dos Euros que ainda ficaram comigo.
Pago por uma "massagem express" de meia hora e complemento a mesma com um chopp e uma porção de "calabresa afogada na cachaça" no Devassa lá de dentro. Pensei em ligar meu notebook, mas a tomada italiana não entrava em nenhuma tomada de lá. Como já tava sem carga por eu ter assistido a seriados dentro do avião... CUÉN. iPhone salva a pátria e me facilita a vida ao permitir que eu atualize a todos da minha posição.
Três horas mais tarde, embarco pra Florianópolis. Voo tranquilo, chegada nem tanto. O calor que em SP tava um saco, aqui estava (e ainda está) absurdamente cretino. Para situar vocês, eu estava encarando TRINTA GRAUS DE VARIAÇÃO. Some a isso o fato de estar rodeado de manezinhos (tava TÃO BOM ficar sem ouvir este MALDITO sotaque) e pronto. Tava tudo uma bosta.
Até que a Lindona me recebeu lá dentro. Nos beijamos e fomos até o carro. No meio do caminho, um cachorro foi atropelado na nossa frente. Nada poderíamos fazer, já que o caminhão que passou por cima dele o rasgou no meio. Infelizmente, ele ainda estava vivo e NINGUÉM dali de perto se prestou a socorrer o bicho. Ela começou a chorar (com razão) e aí eu REALMENTE percebi que, não importa com quem você esteja nem quão especial essa pessoa seja: o Brasil ACABA com você.
Chegamos em casa e fiz de tudo pra não deixar aquela noite terminar num lixo. Dei a ela os presentinhos, saímos pra comer comida japonesa (que não tem lá na Itália, pelo menos por onde andei) e voltamos pra casa pra poder curtir o refresco do meu ar-condicionado.
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Pois bem, Brasil. A partir de segunda-feira, começo a me preparar pra deixar você de vez. E farei tudo, TUDO que me for possível pra levar daqui todos aqueles que eu gosto, porque é até falta de educação deixá-los por aqui.
Foda-se, país de merda.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Desabafo
É. A falta de respeito agora já ultrapassou todos os limites de convivência possíveis. Não há mais comunicação, isso é fato. Estou desde quinta-feira tentando ligar para os "responsáveis" aqui na Itália para que façam a transferência da minha passagem para outro dia. Sem resposta.
Já enviei mensagens, liguei em TRÊS números diferentes... sem retorno. O tão falado "contrato" que somos obrigados a assinar antes de vir pra cá já foi estuprado dezenas de vezes, tanto por quem está residindo como por conta dos "responsáveis". Se eu não tivesse alugado o carro ontem, já teria parido uma mula. Ou coberto alguém de porrada.
Estou com uma enorme vontade de procurar um advogado assim que voltar ao Brasil, para ver o que pode ser feito em relação à isso. Afinal, um contrato que custa o preço de um carro popular teria que ser, NO MÍNIMO, cumprido à risca. Até foi, na primeira semana que fiquei aqui. Depois desandou e agora tá essa porcaria.
Sei que já está acabando, sei que falta pouco tempo. Mas é como uma panela de pressão: se não deixar o vapor sair, explode. E machuca SÉRIO a todos que estão em volta.
EDIT: Ou o povo lê o blog ou sei lá o quê. Foi só eu escrever aqui e, meia hora depois, entraram em contato. Que fofo. Beijão pra vocês, viu?
Já enviei mensagens, liguei em TRÊS números diferentes... sem retorno. O tão falado "contrato" que somos obrigados a assinar antes de vir pra cá já foi estuprado dezenas de vezes, tanto por quem está residindo como por conta dos "responsáveis". Se eu não tivesse alugado o carro ontem, já teria parido uma mula. Ou coberto alguém de porrada.
Estou com uma enorme vontade de procurar um advogado assim que voltar ao Brasil, para ver o que pode ser feito em relação à isso. Afinal, um contrato que custa o preço de um carro popular teria que ser, NO MÍNIMO, cumprido à risca. Até foi, na primeira semana que fiquei aqui. Depois desandou e agora tá essa porcaria.
Sei que já está acabando, sei que falta pouco tempo. Mas é como uma panela de pressão: se não deixar o vapor sair, explode. E machuca SÉRIO a todos que estão em volta.
EDIT: Ou o povo lê o blog ou sei lá o quê. Foi só eu escrever aqui e, meia hora depois, entraram em contato. Que fofo. Beijão pra vocês, viu?
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
PARLA, BELFIORE! - Dias 20, 21, 22...
É oficial: meu saco já preencheu. Graças ao italianinho e à internet, eu ainda não matei um com requintes de crueldade. Ficar isolado aqui na casa com um monte de gente estranha (mesmo convivendo com eles há quase um mês), de costumes e maneiras tão diferentes, realmente é complicado. Some a isso o fato da gente não poder sair, correndo o risco do guarda passar e tudo ir pro Limbo, bem... é de surtar.
Ontem acabei indo até o centrinho, pra ver se dava uma espairecida e comprava alguns chocolates diferentões. Isso eu fiz, sim. Aproveitei que tava com o cachaceiro oficial da turma e fomos até um bar, estilo botecão mesmo, pra tomar uma cerveja. Que veio fria (não gelada, o que é estranho) e em copos que pesavam um quilo FÁCIL. Pra acompanhar, como o bar só oferecia petiscos dolces, pegamos alguns salgadinhos. Vou até ver se consigo "contrabandear" alguns pro Brasil. Bem diferentes, bem interessantes... mesmo com quase todos tendo gusto ketchup.
Depois disso, aproveitei o embalo pra passar na pizzaria e pegar um teco da pizza de patatine, já que não aguento mais comer macarrão com molho. Não estou desfazendo do povo que tá cozinhando aqui pra gente, longe disso. É que a MESMA coisa TODO dia não dá. Na sequência ainda parei na sorveteria pra detonar "uma bola" mezzo spagnola (uma espécie de nata com cerejas em calda) mezzo americanino (que me lembrou gosto de panetone). Com a pança cheia, requisitamos a carona do Vincenzo para que pudéssemos subir a morreba com as compras nas mãos. Prestimoso como ele só, chegamos sem problemas.
O sono bateu cedo, por volta das 23h. Fui deitar mas só consegui dormir lá pra depois da meia-noite, já que o pessoal se empolgou com a garrafa de whisky que o Thiago trouxe lá do mercado e resolveram conversar (naquele tom de voz GOSTOSO que eles têm, perto dos 100db) até perder a voz. Cabe dizer aqui que eu durmo com um travesseiro com quase três quilos em cima da minha cabeça. Mesmo assim, continuei ouvindo o escândalo. Pra quem tinha um contrato bradando coisas como "apartamentos individuais" e "lei do silêncio à partir das 22h", bem... só tô tomando no rabo, mesmo.
Hoje eu vou alugar um carro de novo pra, amanhã, passar na feira da cidade e ir até o shopping pra comprar as encomendas eletrônicas familiares, bem como algumas lembrancinhas pra alguns entes queridos. Como ontem, ao nos trazer, o Enzo disse que o punheto do guarda vai passar só semana que vem, meio que "ganhamos" uma folga pra dar um rolê. Vou aproveitar pra não enlouquecer.
Se acontecer algo de diferente, vem pra cá. Se não... um baccio per tutti!
Ontem acabei indo até o centrinho, pra ver se dava uma espairecida e comprava alguns chocolates diferentões. Isso eu fiz, sim. Aproveitei que tava com o cachaceiro oficial da turma e fomos até um bar, estilo botecão mesmo, pra tomar uma cerveja. Que veio fria (não gelada, o que é estranho) e em copos que pesavam um quilo FÁCIL. Pra acompanhar, como o bar só oferecia petiscos dolces, pegamos alguns salgadinhos. Vou até ver se consigo "contrabandear" alguns pro Brasil. Bem diferentes, bem interessantes... mesmo com quase todos tendo gusto ketchup.
Depois disso, aproveitei o embalo pra passar na pizzaria e pegar um teco da pizza de patatine, já que não aguento mais comer macarrão com molho. Não estou desfazendo do povo que tá cozinhando aqui pra gente, longe disso. É que a MESMA coisa TODO dia não dá. Na sequência ainda parei na sorveteria pra detonar "uma bola" mezzo spagnola (uma espécie de nata com cerejas em calda) mezzo americanino (que me lembrou gosto de panetone). Com a pança cheia, requisitamos a carona do Vincenzo para que pudéssemos subir a morreba com as compras nas mãos. Prestimoso como ele só, chegamos sem problemas.
O sono bateu cedo, por volta das 23h. Fui deitar mas só consegui dormir lá pra depois da meia-noite, já que o pessoal se empolgou com a garrafa de whisky que o Thiago trouxe lá do mercado e resolveram conversar (naquele tom de voz GOSTOSO que eles têm, perto dos 100db) até perder a voz. Cabe dizer aqui que eu durmo com um travesseiro com quase três quilos em cima da minha cabeça. Mesmo assim, continuei ouvindo o escândalo. Pra quem tinha um contrato bradando coisas como "apartamentos individuais" e "lei do silêncio à partir das 22h", bem... só tô tomando no rabo, mesmo.
Hoje eu vou alugar um carro de novo pra, amanhã, passar na feira da cidade e ir até o shopping pra comprar as encomendas eletrônicas familiares, bem como algumas lembrancinhas pra alguns entes queridos. Como ontem, ao nos trazer, o Enzo disse que o punheto do guarda vai passar só semana que vem, meio que "ganhamos" uma folga pra dar um rolê. Vou aproveitar pra não enlouquecer.
Se acontecer algo de diferente, vem pra cá. Se não... um baccio per tutti!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
PARLA, BELFIORE! - Dias 18, 19 e 20
Pois é... os dias passam e eu sou obrigado a juntá-los em "coletâneas" pra ter o que escrever aqui. Como vocês já estão cansados de saber, estamos em vigília pela passagem do guarda. O truta pode vir a qualquer momento, o que acaba limitando nossas saídas. Mas não tem problema não. Afinal, eu vim aqui só pra isso, lembram? Tudo que já fiz até agora foi é LUCRO.
Acabei não saindo na sexta-feira, mas no sábado cedo já estávamos em direção ao centrinho. Disse o Juliano que lá encontraríamos uma "feirinha", onde praticamente tudo era vendido com preços BEM convidativos. Como pra baixo todo santo ajuda, chegamos em poucos minutos na tal feira, que ficava "escondida" ao lado de um estacionamento.
A tal feira me lembrou bastante as que víamos em Peruíbe, no litoral de São Paulo, menos os trocentos ripongas vendendo pulseirinhas, badulaques e tchananinhos. Na "nossa" vi à venda luvas, gorros, roupas de tudo que eram tipo, malas, CDs e DVDs (dã!), utensílios domésticos, artigos de perfumaria e até, vejam só, comida. Peixes, queijos, vinhos, azeites... um monte de coisa legal. Acabei não comprando nada dessa vez, vou deixar pra levar mesmo no fim de semana seguinte, meu último aqui na Itália.
Saímos da feira em direção ao mercado, pra comprarmos algumas coisas pra variar um pouco o almoço. Não me entendam mal; o povo aqui tá fazendo milagre com o que compramos pra termos sempre refeições variadas e com carne. O complicado é que chega uma hora em que até o macarrão "à bolonhesa" e o arroz com feijão começam a preencher os pacovás. Claro que essa é a intenção literal das comidas, mas cadê experimentação?
Acabei comprando alguns frios no mercado. Já tinha visto algumas pessoas fazendo os pedidos, mas sem prestar muita atenção. Eis que, quando chega a minha vez, eu faço o pedido em um italiano tão perfeito que eu até me assustei com o que saiu da minha boca. A moça olha pra mim, assustada... não pelo que eu falei, mas pela quantidade pedida. 1 quilo de mortadela, aparentemente, é muito até pra alguém da minha atual circunferência. Ela me pergunta se era aquilo mesmo, respondi que sim, que deveria durar uma semana (ênfase no fato de que TODA a conversa foi travada em italiano)... a oura moça lembra que estávamos em um monte de pessoas. Eu a corrigi dizendo que não estávamos mais em quinze, mas apenas em cinco. Ela ri, eu também. CARVALHO, até piada em italiano eu fiz.
A mocinha começa a fatiar a mortadela. Me deu até vontade de FILMAR o processo pra poder esfregar na cara de todos os responsáveis pela seção de frios e laticínios de Florianópolis, pra que eles vissem O QUE É a ARTE de se cortar uma mortadela em fatias tão finas que chegam a ser quase translúcidas. Ela fatia até o braço ficar cansado. Para pra respirar e pesa o quanto deu: 250g. Mais uma encarada do tipo "tem certeza que é tudo aquilo mesmo?" e eu digo "não... pensando bem, vou levar só 500g. Aí eu não divido com ninguém". Ela ri de novo e pára de cortar com meio quilo.
Aqui cabe outro parêntese. Na Itália, as unidades para compra de frios e carnes são divididas em quilos e etti. Um etto equivale a 100g. Então, ao invés de pedir por "meio quilo", eu pedi que ela me desse cinque etti de mortadela. Não faço a MENOR idéia de onde eu aprendi isso. Só sei que, na hora, saiu. E saiu certo.
Feliz com as compras na mão, veio a lembrança: estamos a pé e subir a morreba não ia ser nada fácil. Já tinha feito a tarefa com o italianinho nas costas, eu sei. Mas não tava com o menor saco pra repetir o feito. Então, como diria meu irmão, comecei a mentalizar que alguma alma italiana caridosa poderia surgir do nada pra nos levar até a casa... até que surge uma caminhonete buzinando no nosso rabo. Eu ia xingar, mas olhei e vi que era o Vincenzo, o dono da casa. Nunca fiquei tão feliz em encontrar o truta da batata na boca (ele fala como se tivessem atochado um tubérculo na goela). Nos trouxe até a casa e fiquei felizão o resto do dia.
Almoçamos e cochilei. Acordei, joguei um pouco, internet, tchananã... até que a noite chegou. Eu vi que o povo da casa tava especialmente excitadinho, sabe-se lá porque. A idéia era a gente fazer alguma coisa pra dar uma agitada. Cáspita, vocês com carnaval e tudo por aí e a gente mofando aqui? Blé! Vamos brincar de fantasminha.
Estava eu na sala vendo seriados quando escuto uma PUTA barulheira vinda do lado de fora. Nem me dei ao trabalho de ver o que era. Só escutei a mina daqui gritando que "tavam derrubando a casa". Fui ver o que era e tava ela lá, assustada. O resto do povo tava por lá também, dizendo que tinham ouvido passos em volta do terreno. Guardei o note no quarto e demos uma olhada lá fora.
Nada. Demos mais um passeio pra confirmar e aí só o que me restou foi dar risada. Até porque vi a cara de todo mundo que tava por lá e isso me fez ter certeza de que tinha sido brincadeira do povo. Depois de um bom tempo rachando o bico, fui deitar. Cobri a cabeça com meu travesseirão e capotei.
Assim que o povo levanta, vêm me contar sobre tudo que aconteceu depois que eu fui deitar. Acabei perdendo o MELHOR da noite enquanto roncava. Maldito sono pesado, viu?
Meia hora depois da gente se retirar, um copo aparentemente andou no corredor da casa. O barulho acabou acordando a todos os demais, que ainda viram outros dois copos caindo na sala da lareira. Eles caíram de uma altura considerável e não quebraram. Um deles, que estava cheio de cinzas de cigarro, ainda chegou a fazer uma espécie de "desenho" no chão.
Não consegui acreditar até que entrei no quarto e vi tudo.
Ri por mais de dez minutos sem parar.
A cara de medo do povo daqui parecia combustível pras gargalhadas. Depois de um tempo, todos os outros entram na brincadeira e também se divertem com o fato. O que um ventinho não faz com mentes impressionáveis, não?
Pelo menos essa atividade fantasmagórica fez o fim de semana ter um pouco de diversão "ao vivo". Passamos o resto do domingo comentando sobre o fato, tirando conclusões e rindo a cada vez que alguém achava que aquilo poderia ter sido algo mais sério. No fim da noite, ainda dava tempo de ter mais uma emoção, certo?
Um dos trutas pegou um lençol e uma fronha e se fantasiou de fantasma. Veio de mansinho por fora da casa e colou a cara na janela da sala de sopetão. O grito que o Juliano deu foi a coisa mais tragicômica de toda a viagem. Rimos por mais meia hora e o sono, enfim, chegou.
Assim termina a terceira semana de Itália. Iniciando hoje, a última dessa primeira saída do Brasil. Será que a Véia que supostamente habita a casa vai querer se firmar como mais um dos participantes do Grande Fratello Brasil? Aguardemos.
Acabei não saindo na sexta-feira, mas no sábado cedo já estávamos em direção ao centrinho. Disse o Juliano que lá encontraríamos uma "feirinha", onde praticamente tudo era vendido com preços BEM convidativos. Como pra baixo todo santo ajuda, chegamos em poucos minutos na tal feira, que ficava "escondida" ao lado de um estacionamento.
A tal feira me lembrou bastante as que víamos em Peruíbe, no litoral de São Paulo, menos os trocentos ripongas vendendo pulseirinhas, badulaques e tchananinhos. Na "nossa" vi à venda luvas, gorros, roupas de tudo que eram tipo, malas, CDs e DVDs (dã!), utensílios domésticos, artigos de perfumaria e até, vejam só, comida. Peixes, queijos, vinhos, azeites... um monte de coisa legal. Acabei não comprando nada dessa vez, vou deixar pra levar mesmo no fim de semana seguinte, meu último aqui na Itália.
Saímos da feira em direção ao mercado, pra comprarmos algumas coisas pra variar um pouco o almoço. Não me entendam mal; o povo aqui tá fazendo milagre com o que compramos pra termos sempre refeições variadas e com carne. O complicado é que chega uma hora em que até o macarrão "à bolonhesa" e o arroz com feijão começam a preencher os pacovás. Claro que essa é a intenção literal das comidas, mas cadê experimentação?
Acabei comprando alguns frios no mercado. Já tinha visto algumas pessoas fazendo os pedidos, mas sem prestar muita atenção. Eis que, quando chega a minha vez, eu faço o pedido em um italiano tão perfeito que eu até me assustei com o que saiu da minha boca. A moça olha pra mim, assustada... não pelo que eu falei, mas pela quantidade pedida. 1 quilo de mortadela, aparentemente, é muito até pra alguém da minha atual circunferência. Ela me pergunta se era aquilo mesmo, respondi que sim, que deveria durar uma semana (ênfase no fato de que TODA a conversa foi travada em italiano)... a oura moça lembra que estávamos em um monte de pessoas. Eu a corrigi dizendo que não estávamos mais em quinze, mas apenas em cinco. Ela ri, eu também. CARVALHO, até piada em italiano eu fiz.
A mocinha começa a fatiar a mortadela. Me deu até vontade de FILMAR o processo pra poder esfregar na cara de todos os responsáveis pela seção de frios e laticínios de Florianópolis, pra que eles vissem O QUE É a ARTE de se cortar uma mortadela em fatias tão finas que chegam a ser quase translúcidas. Ela fatia até o braço ficar cansado. Para pra respirar e pesa o quanto deu: 250g. Mais uma encarada do tipo "tem certeza que é tudo aquilo mesmo?" e eu digo "não... pensando bem, vou levar só 500g. Aí eu não divido com ninguém". Ela ri de novo e pára de cortar com meio quilo.
Aqui cabe outro parêntese. Na Itália, as unidades para compra de frios e carnes são divididas em quilos e etti. Um etto equivale a 100g. Então, ao invés de pedir por "meio quilo", eu pedi que ela me desse cinque etti de mortadela. Não faço a MENOR idéia de onde eu aprendi isso. Só sei que, na hora, saiu. E saiu certo.
Feliz com as compras na mão, veio a lembrança: estamos a pé e subir a morreba não ia ser nada fácil. Já tinha feito a tarefa com o italianinho nas costas, eu sei. Mas não tava com o menor saco pra repetir o feito. Então, como diria meu irmão, comecei a mentalizar que alguma alma italiana caridosa poderia surgir do nada pra nos levar até a casa... até que surge uma caminhonete buzinando no nosso rabo. Eu ia xingar, mas olhei e vi que era o Vincenzo, o dono da casa. Nunca fiquei tão feliz em encontrar o truta da batata na boca (ele fala como se tivessem atochado um tubérculo na goela). Nos trouxe até a casa e fiquei felizão o resto do dia.
Almoçamos e cochilei. Acordei, joguei um pouco, internet, tchananã... até que a noite chegou. Eu vi que o povo da casa tava especialmente excitadinho, sabe-se lá porque. A idéia era a gente fazer alguma coisa pra dar uma agitada. Cáspita, vocês com carnaval e tudo por aí e a gente mofando aqui? Blé! Vamos brincar de fantasminha.
Estava eu na sala vendo seriados quando escuto uma PUTA barulheira vinda do lado de fora. Nem me dei ao trabalho de ver o que era. Só escutei a mina daqui gritando que "tavam derrubando a casa". Fui ver o que era e tava ela lá, assustada. O resto do povo tava por lá também, dizendo que tinham ouvido passos em volta do terreno. Guardei o note no quarto e demos uma olhada lá fora.
Nada. Demos mais um passeio pra confirmar e aí só o que me restou foi dar risada. Até porque vi a cara de todo mundo que tava por lá e isso me fez ter certeza de que tinha sido brincadeira do povo. Depois de um bom tempo rachando o bico, fui deitar. Cobri a cabeça com meu travesseirão e capotei.
Assim que o povo levanta, vêm me contar sobre tudo que aconteceu depois que eu fui deitar. Acabei perdendo o MELHOR da noite enquanto roncava. Maldito sono pesado, viu?
Meia hora depois da gente se retirar, um copo aparentemente andou no corredor da casa. O barulho acabou acordando a todos os demais, que ainda viram outros dois copos caindo na sala da lareira. Eles caíram de uma altura considerável e não quebraram. Um deles, que estava cheio de cinzas de cigarro, ainda chegou a fazer uma espécie de "desenho" no chão.
Não consegui acreditar até que entrei no quarto e vi tudo.
Ri por mais de dez minutos sem parar.
A cara de medo do povo daqui parecia combustível pras gargalhadas. Depois de um tempo, todos os outros entram na brincadeira e também se divertem com o fato. O que um ventinho não faz com mentes impressionáveis, não?
Pelo menos essa atividade fantasmagórica fez o fim de semana ter um pouco de diversão "ao vivo". Passamos o resto do domingo comentando sobre o fato, tirando conclusões e rindo a cada vez que alguém achava que aquilo poderia ter sido algo mais sério. No fim da noite, ainda dava tempo de ter mais uma emoção, certo?
Um dos trutas pegou um lençol e uma fronha e se fantasiou de fantasma. Veio de mansinho por fora da casa e colou a cara na janela da sala de sopetão. O grito que o Juliano deu foi a coisa mais tragicômica de toda a viagem. Rimos por mais meia hora e o sono, enfim, chegou.
Assim termina a terceira semana de Itália. Iniciando hoje, a última dessa primeira saída do Brasil. Será que a Véia que supostamente habita a casa vai querer se firmar como mais um dos participantes do Grande Fratello Brasil? Aguardemos.
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