Infelizmente, teria de esperar por volta de duas horas até que o chip fosse ativado pela TIM italiana que, aqui, se pronuncia de forma completamente diferente. Quando falamos o nosso “Tchin”, eles não entendem. É “TIMMA”, como se fosse o Sílvio Santos com “a mudo” no final. Qualquer hora eu gravo um áudio explicando melhor. Fiquei aguardando, já na paúra de fazer o meu bebê surfar na internet pela primeira vez. Enquanto aguardava, joguei um pouco de Paciência em italiano (Solitario) e dei um jeito no problema das acentuações. Como minhas mãos já decoraram a posição das teclas brasileiras, mapeei o teclado de forma que elas correspondessem ao que eu estou acostumado a digitar e não ao que está escrito em cada um dos botões. Resultado: SÓ EU sei fazer acentos e tchananãs no meu filhote. Mais exclusivo que isso, não dá.
Aí que a internet resolveu passar do prazo e não funcionar. Achei estranho que o compartimentozinho onde coloca o chip estava meio “estufado”, como se algo estivesse errado. Abri e arrumei. Essa foi a primeira pista de que o sr. que me atendeu na loja não fazia a menor porra de idéia do que ele estava fazendo. Se errou na hora de colocar o chip, quem falou que ele acertou na hora de mandar a TIM ativar a bagacinha? Toca descer a morreba e ir atrás do homem. Isso, claro, respeitando o horário de funcionamento italiano, que é das “não sei quanto” da manhã até às “boa vontade de quem tá lá” da noite. Dei sorte e achei o homem, cuja única resposta foi ”Espere mais um pouco pela ativação. Se até amanhã de manhã não der certo, volte aqui”. Fui comer uma pizzinha de Brócolis com Linguiça / Salsicha com Batatas fritas pra passar a fúria. O Wagner queria aproveitar que estávamos por lá e comprar umas lembrancinhas pra esposa e filha. Então, fomos todos no embalo. Eu com a mochila do note nas costas, a caixa de pizza com os pedaços restantes na mão e começando a perceber que o frio tava começando a incomodar até mesmo a mim. Isso significa que a temperatura baixou de 10°... some o vento que tava na viela, danou-se. Olhando nas lojas, vi uma que vendia roupas de frio com desconto, já que o verão está se aproximando por aqui. Comprei um casaco de neve por 30€ (com um colete interno destacável) e estava me preparando pra sair quando vi uma coisinha que mudou a minha vida. Fui OBRIGADO a comprar, lógico. A imagem da maravilha está logo abaixo. Clique pra ampliar!

MUITO legal, né? E a sorte de achar uma que servisse num pé 42, mesmo sendo a seção infantil da loja? Voltei pra casa felizão da vida. Agora, só o que me faltava era conseguir acessar a internet com o pequenino, coisa que aconteceu aos trancos e barrancos. Tudo por conta da falta de, imaginem só, um manual de instruções decente pra chiavetta. Assim: ela indica o status do aparato de acordo com uma luz que acende em cima. Essa luz começou vermelha. Então, ficou piscando em verde. Até aí, a conexão aqui (que deveria atingir velocidades de até 7.2M) estava funcionando, mas em velocidade EDGE. Fora que a caralha ficava desconectando não da conexão, mas DO COMPUTADOR a todo momento. Como se alguém estivesse tirando e colocando a bagaça da porta USB, sabe? Assim. Já achei que o bagulho tava com defeito e enlouqueci.
Tirei e coloquei ele da porta USB. Coloquei em outra. E depois na outra. Voltei pra primeira, que fica ergonomicamente melhor. Aí, a cada dois minutos, tinha que tirar e por a porcaria porque ela desconectava. Não dava pra baixar coisa alguma, não tinha o que fazer. Foi então que, do mais absoluto NADA, o pinguelo começou a piscar em ROSA (o_O) e, então, estabilizou em uma luz azul. Fui ver o indicador de velocidade que acompanha a chiavetta e ele estava marcando conexão em HSUPA, que é a mais veloz rede de dados via GSM disponível. Parou de cair. Estabilizou e ficou uma BELEZA. Aí foi só alegria. Baixei programas, acessei sites, conversei com algumas pessoas e pude até deixar os dois episódios de LOST baixando durante a madrugada. UFA!
Assisti aos dois na manhã do dia 13, que foi bem paradão. Fiquei praticamente o dia todo brincando com o nenê. Isso quando a conexão permitia, que ela resolveu dar uma despirocadinha de leve durante alguns momentos. Nada que uma série de palavrões direcionados ao cara da TIM e seus antepassados não resolvesse. A conexão depois voltou pro azulzinho e lá ficou por um BOM tempo, o suficiente pra eu mostrar a casa toda pra Osi e pros meus pais, via webcam do MSN. A conversa com eles tava boa, e aí o pessoal da casa decidiu ir pra balada. Uma rápida troca de roupas depois, fomos pra cidade vizinha, que é onde rola a alegria. Aproveitei pra estrear meu casaco novo. Fechei o zíper dele (que cobre até os joelhos) e entrei no carro. PÁ! Ao abrir as pernas pra sentar no banco, o zíper estoura. Na verdade, foi só a base dele que quebrou. Mesmo assim, já foi algo que me fez espumar antes mesmo de colocar a chave na ignição. A risada do povo dentro do carro também não ajudou a princípio, mas... ah, foda-se! Tudo é festa, eu tô na Itália!
No meio do caminho, passamos por uma estrada fechadinha e foi lá que eu vi pela primeira vez as “primas italianas”. Fiquei com pena das coitadas, que ficavam na beira da estrada aquecidas só por um barril fino e alto, cheio de carvão em brasa, enquanto esperavam por alguém. Vale constar que a IMENSA maioria delas é negra. Isso me incomodou um pouco, porque até agora eu não tinha visto nenhum “afro-italiano” por aqui. Marginalizou o baguio? Esses pensamentos sumiram assim que vi primas loiras. Continuamos o caminho e chegamos à cidade, com uma dificuldade ABSURDA pra conseguir estacionar. Nessa hora eu me lembrei o porquê de eu querer ter alugado um Smart, aquele carrinho caixa-de-fósforo de só dois lugares. Pra vocês terem idéia, em vagas onde se estacionava assim --- , haviam Smarts parados assim | . Eu ri.
Encontramos uma vaga dez minutos depois e caminhamos até a região dos bares. Entramos em um chamado “White Rabbit”, que pareceu aconchegante. O frio lá fora já estava quase me lembrando o gelo do topo do Vesúvio, então um lugar aquecido era tudo que a gente queria. Ainda mais com salgadinhos complementares e cerveja belga. A graduação alcoólica escolhida pelo grupo foi a de 10°. O tamanho do copo? 700ml. Quantas eu precisei pra pirar o cabeção? Três. Impressionante como aquilo subiu rápido. Da mesma forma que veio, foi. Eu culpo o catzo dos salgadinhos, que apareceram bem vívídos na água da privada logo depois que chamei o Hugo. Comemorem, pois foi o meu primeiro porre fora do Brasil! Ê.
Dali pra frente, como é de costume pras pessoas que passam mal, eu só queria saber de cama. Até cogitei a idéia de ir pra algum lugar pra tomar um soro glicosado na veia e acordar bem, mas como CATZO eu ia pedir isso por aqui? Aliás, como catzo eu ia fazer qualquer coisa, se eu malemá parava em pé? Esperei o povo terminar de beber e fomos em direção ao carro. Mesmo enjoado e querendo dormir, parei com o povo em uma pizzaria que vendia uma pizza em cone, mas BEM diferente dessas que vendem aí no Brasil. A casquinha dela parecia uma de sorvete, mas com a massa mais grossa. O recheio escolhido pelo povo foi o já manjado margherita. O meu foi de Black & White, de chocolate preto e branco. Taí a glicose que eu precisava! Uma água com gás ajudou a descer tudo pro estômago que, apesar de zoado, NUNCA vai me negar a chance de experimentar comidas diferentes.
Abasteci o carro no self-service e rumamos em direção à casa. LÓGICO que não fui eu quem dirigiu, já que eu desmaiei durante todo o caminho. Cheguei em casa trançando as pernas, me tranquei no carro e dormi. Aí acabou meu décimo-terceiro dia aqui na Itália. E a leitura de vocês por hoje, também. A dománi!
Demorô pra respeitar o frio neh João Júnior!!!!
ResponderExcluirAi ai ai!
Ha ha ha. Você passando frio...
ResponderExcluirMas na itália. XD
fora que paguei o maior pau pra sua pantufa