Pois é... os dias passam e eu sou obrigado a juntá-los em "coletâneas" pra ter o que escrever aqui. Como vocês já estão cansados de saber, estamos em vigília pela passagem do guarda. O truta pode vir a qualquer momento, o que acaba limitando nossas saídas. Mas não tem problema não. Afinal, eu vim aqui só pra isso, lembram? Tudo que já fiz até agora foi é LUCRO.
Acabei não saindo na sexta-feira, mas no sábado cedo já estávamos em direção ao centrinho. Disse o Juliano que lá encontraríamos uma "feirinha", onde praticamente tudo era vendido com preços BEM convidativos. Como pra baixo todo santo ajuda, chegamos em poucos minutos na tal feira, que ficava "escondida" ao lado de um estacionamento.
A tal feira me lembrou bastante as que víamos em Peruíbe, no litoral de São Paulo, menos os trocentos ripongas vendendo pulseirinhas, badulaques e tchananinhos. Na "nossa" vi à venda luvas, gorros, roupas de tudo que eram tipo, malas, CDs e DVDs (dã!), utensílios domésticos, artigos de perfumaria e até, vejam só, comida. Peixes, queijos, vinhos, azeites... um monte de coisa legal. Acabei não comprando nada dessa vez, vou deixar pra levar mesmo no fim de semana seguinte, meu último aqui na Itália.
Saímos da feira em direção ao mercado, pra comprarmos algumas coisas pra variar um pouco o almoço. Não me entendam mal; o povo aqui tá fazendo milagre com o que compramos pra termos sempre refeições variadas e com carne. O complicado é que chega uma hora em que até o macarrão "à bolonhesa" e o arroz com feijão começam a preencher os pacovás. Claro que essa é a intenção literal das comidas, mas cadê experimentação?
Acabei comprando alguns frios no mercado. Já tinha visto algumas pessoas fazendo os pedidos, mas sem prestar muita atenção. Eis que, quando chega a minha vez, eu faço o pedido em um italiano tão perfeito que eu até me assustei com o que saiu da minha boca. A moça olha pra mim, assustada... não pelo que eu falei, mas pela quantidade pedida. 1 quilo de mortadela, aparentemente, é muito até pra alguém da minha atual circunferência. Ela me pergunta se era aquilo mesmo, respondi que sim, que deveria durar uma semana (ênfase no fato de que TODA a conversa foi travada em italiano)... a oura moça lembra que estávamos em um monte de pessoas. Eu a corrigi dizendo que não estávamos mais em quinze, mas apenas em cinco. Ela ri, eu também. CARVALHO, até piada em italiano eu fiz.
A mocinha começa a fatiar a mortadela. Me deu até vontade de FILMAR o processo pra poder esfregar na cara de todos os responsáveis pela seção de frios e laticínios de Florianópolis, pra que eles vissem O QUE É a ARTE de se cortar uma mortadela em fatias tão finas que chegam a ser quase translúcidas. Ela fatia até o braço ficar cansado. Para pra respirar e pesa o quanto deu: 250g. Mais uma encarada do tipo "tem certeza que é tudo aquilo mesmo?" e eu digo "não... pensando bem, vou levar só 500g. Aí eu não divido com ninguém". Ela ri de novo e pára de cortar com meio quilo.
Aqui cabe outro parêntese. Na Itália, as unidades para compra de frios e carnes são divididas em quilos e etti. Um etto equivale a 100g. Então, ao invés de pedir por "meio quilo", eu pedi que ela me desse cinque etti de mortadela. Não faço a MENOR idéia de onde eu aprendi isso. Só sei que, na hora, saiu. E saiu certo.
Feliz com as compras na mão, veio a lembrança: estamos a pé e subir a morreba não ia ser nada fácil. Já tinha feito a tarefa com o italianinho nas costas, eu sei. Mas não tava com o menor saco pra repetir o feito. Então, como diria meu irmão, comecei a mentalizar que alguma alma italiana caridosa poderia surgir do nada pra nos levar até a casa... até que surge uma caminhonete buzinando no nosso rabo. Eu ia xingar, mas olhei e vi que era o Vincenzo, o dono da casa. Nunca fiquei tão feliz em encontrar o truta da batata na boca (ele fala como se tivessem atochado um tubérculo na goela). Nos trouxe até a casa e fiquei felizão o resto do dia.
Almoçamos e cochilei. Acordei, joguei um pouco, internet, tchananã... até que a noite chegou. Eu vi que o povo da casa tava especialmente excitadinho, sabe-se lá porque. A idéia era a gente fazer alguma coisa pra dar uma agitada. Cáspita, vocês com carnaval e tudo por aí e a gente mofando aqui? Blé! Vamos brincar de fantasminha.
Estava eu na sala vendo seriados quando escuto uma PUTA barulheira vinda do lado de fora. Nem me dei ao trabalho de ver o que era. Só escutei a mina daqui gritando que "tavam derrubando a casa". Fui ver o que era e tava ela lá, assustada. O resto do povo tava por lá também, dizendo que tinham ouvido passos em volta do terreno. Guardei o note no quarto e demos uma olhada lá fora.
Nada. Demos mais um passeio pra confirmar e aí só o que me restou foi dar risada. Até porque vi a cara de todo mundo que tava por lá e isso me fez ter certeza de que tinha sido brincadeira do povo. Depois de um bom tempo rachando o bico, fui deitar. Cobri a cabeça com meu travesseirão e capotei.
Assim que o povo levanta, vêm me contar sobre tudo que aconteceu depois que eu fui deitar. Acabei perdendo o MELHOR da noite enquanto roncava. Maldito sono pesado, viu?
Meia hora depois da gente se retirar, um copo aparentemente andou no corredor da casa. O barulho acabou acordando a todos os demais, que ainda viram outros dois copos caindo na sala da lareira. Eles caíram de uma altura considerável e não quebraram. Um deles, que estava cheio de cinzas de cigarro, ainda chegou a fazer uma espécie de "desenho" no chão.
Não consegui acreditar até que entrei no quarto e vi tudo.
Ri por mais de dez minutos sem parar.
A cara de medo do povo daqui parecia combustível pras gargalhadas. Depois de um tempo, todos os outros entram na brincadeira e também se divertem com o fato. O que um ventinho não faz com mentes impressionáveis, não?
Pelo menos essa atividade fantasmagórica fez o fim de semana ter um pouco de diversão "ao vivo". Passamos o resto do domingo comentando sobre o fato, tirando conclusões e rindo a cada vez que alguém achava que aquilo poderia ter sido algo mais sério. No fim da noite, ainda dava tempo de ter mais uma emoção, certo?
Um dos trutas pegou um lençol e uma fronha e se fantasiou de fantasma. Veio de mansinho por fora da casa e colou a cara na janela da sala de sopetão. O grito que o Juliano deu foi a coisa mais tragicômica de toda a viagem. Rimos por mais meia hora e o sono, enfim, chegou.
Assim termina a terceira semana de Itália. Iniciando hoje, a última dessa primeira saída do Brasil. Será que a Véia que supostamente habita a casa vai querer se firmar como mais um dos participantes do Grande Fratello Brasil? Aguardemos.
Oi, Lindão!
ResponderExcluirSó achei meu celular agora. Consegui entrar algumas vezes no MSN, mas tu não estava. Acabei dormindo quase inteira e vendo House!
Te adoro muito...
Saudadona.
Beijão