Terça foi o dia mais difícil que eu já tive aqui na Itália. Um misto de emoções, sensações e sentimentos que me deixou completamente esgotado, física e mentalmente. Por isso não escrevi ontem à noite, como de costume. Não consegui.
Começamos a manhã com a espera do Wagner pela Ester, que disse que chegaria às 8h30 e passou aqui às 10h. Levamos 16 sacos de lixo pra fora da casa, enquanto isso. Sacos de 30 litros, é bom constar. Cheios. Numa patada só. E "levar pra fora" significa subir a imensa rampa que separa a casa do portão de acesso. Pelo menos vi que meu fôlego ainda tá em dia: cheguei lá sem ar, mas uns dois minutos depois já tava pronto pra outra.
Ester chega, desce só até a entrada do portão com sua mega nave e para lá mesmo. Pergunto pra ela se pegou nojo da gente e, assim que ela resolve entrar mais pra responder, BLAM! Bateu a quina da traseira da nave com a traseira do FidumPunto. O carrinho alugado chegou até a balançar com a força da porrada.
Ela sai do carro desesperada, falando trocentos Porca miséria! e vê o estrago: uma vagina no parachoque do Punto e um talho na parte lateral/traseira da nave. Achei meio estranho aquilo e passei o dedo no risco pra ver qual era. Enquanto ela repetia outras expressões italianas de lamentação, peguei a mangueira do quintal e joguei água na parte batida do carrinho. 80% do risco sumiu ali e o Wagner tirou o resto com a unha. O Punto ficou zero bala. A nave da Ester, no entanto... Ganhou mais um arranhão e um amassadinho.
Saem os dois pra fazer a papelada no comune e vou pra cozinha tomar café. O resto do povo acorda, comemos e combinamos que eu e o truta que saiu iríamos comprar a água que esqueceram de trazer da outra vez. Quem ficaria em casa pediu que trouxéssemos recargas pros celulares. Beleza.
O grande problema do trânsito aqui da Itália é que as ruas são bem apertadas. Não, pera lá. Bem apertada é a minha bunda. As ruas são RIDICULAMENTE MINÚSCULAS. São vielas tão pequeninas que AGORA eu entendi o porquê de se fabricarem carros tão miúdos nessas terras.
Além de pequenas, as ruas ainda têm sinalização confusa, já que junto às placas de trânsito os fratellos colocam propagandas do mesmo tamanho, cor e até mesmo fonte. É uma bosta você procurar o centro da cidade e acabar numa agropecuária só porque seguiu as placas erradas. Por vonta disso, nos perdemos no meio das quebradas e atrasamos em mais de hora. Resultado: conseguimos trazer a água, mas não as ricaricas. As lojas aqui fecham durante quase toda a tarde, pra "almoço + descanso". Voltam lá pelas cinco, quando já está anoitecendo.
Almoçamos em casa (arroz, feijão e bife!) e saímos em direção ao Vulcano Buono, um mega shopping que fica à uma hora e meia daqui. Por não saber interpretar corretamente as instruções do GPS; por estar em uma estrada que nunca vi; e por ter cinco vozes diferentes dando pitaco na minha orelha (quatro humanas e uma do aparelhinho), fiquei puto e demoramos mais de duas horas pra chegar lá. Isso fez com que chegássemos com menos de uma hora pra ver tudo e, se fosse o caso, comprar algo.
Falei aqui bucentas vezes que ia comprar o laptop. Pois bem. Ao entrar na MediaWorld, a maior loja de elertrônicos da região, eu passei mal. LITERALMENTE mal, com direito a suar frio, enjoo e dor de cabeça. A quantidade de opções, a variedade e o preço são impressionantes. Sem saber o que fazer, liguei pra minha mãe, falei rapidamente com ela e, depois, com meu pai. Foi aí que o dia acabou.
Ele disse que o lixo da CVC debitou as passagens pra cá em UMA vez, ao invés das oito pré-combinadas. Ou seja: aos olhos do meu pai, EU fiz a merda, porque EU não cuidei disso e ele é quem tem que se foder pra resolver as MINHAS cagadas. Então, se ele já tá boiando num esgoto cheio de bosta, porque eu não termino de foder com ele comprando mais alguma coisa completamente inútil, desnecessária, que trará nada além de MAIS despesa? Por que eu já não aproveito e decepciono meu pai AINDA mais, se é que isso é possível? Afinal de contas, eu só estou aqui pra fazer turismo e gastar todo o dinheiro que conseguir. Não dou o mínimo valor pra absolutamente nada.
Me senti a pior escória da face da Terra. Saí da loja na mesma hora sem comprar nada e fui ao encontro do resto do grupo, que estavam vendo o jogo na praça de alimentação. Não consegui ficar por lá e resolvi esperá-los do lado de fora. Assim que o jogo acabou, pedi pro Juliano voltr dirigindo e chegamos aqui por volta de 01h da matina. Num misto de frustração, tristeza e angústia, não consegui dormir direito. A única coisa que fiz pensar e repensar em tudo que fiz até hoje com a minha vida. Então, decidi algumas coisas com uma certeza que NUNCA tive antes. São:
1 - Assim que toda a documentação ficar pronta, me mudar pra Inglaterra de vez. Voltar a trabalhar, conseguir meu próprio sustento e, enfim, proporcionar para meu pai a paz que ele merece e precisa há tantos anos. Ficar no Brasil já não era uma opção. Agora, é impossível. Nunca poderei ser feliz por lá. Nunca poderei fazer ninguém feliz por lá. Trago todos os que amo comigo e começo do zero num lugar que não me enoje.
2 - Fazer vasectomia assim que juntar os recursos para tal. Ter a certeza de que não terei alguém que faz o que eu faço, pra mim, é garantia de que minha paz estará assegurada no futuro.
Peço desculpas a todos os que visitam este blog, mas eu precisava desabafar e saber que minhas palavras não se perderiam no frio vento italiano.
Um ótimo dia pra todos.
Pais são foda.
ResponderExcluirMeu pai também brigou comigo quando falei que precisava de umas coisas lá pra casa.
Disse que nos últimos meses gastou mais comigo do que ganhou e fez todo aquele escândalo.
Reclamou pq eu recusei uma oferta de trampo que ia me fuder e q não era compatível com a escola de magistratura, mas ele queria era que eu conseguisse o trampo e deixasse de pedir dinheiro pra ele.
Deu mó briga, pq minha madrasta se meteu no meio e eu enchi ela de lixo. Resultado: To aqui em chapecó, brigada com meu pai, em pé de guerra com minha madrasta, que não deixa nem meu irmão se aproximar.
Calor fudido, internet de bosta e eu de mal humor.
Mas tudo vai mudar... ah se vai. Já disse pra ele que assim que conseguir o que quero, mudo de cep, estado e se eu ganhar na megasena de país e continente, aí ele sequer vai lembrar de mim... aí ele se irritou e saiu de casa e mais uma vez.. tive que ouvir gente brigando comigo .
Não entendo pq os pais acham que a gente GOSTA de ser dependentes deles.
Eu ODEIO isso.. simplesmente ODEIO