Longe de mim destratá-los ou já chegar com pedras nas mãos, mas o que se passa comigo é de arrancar as calças pela cabeça. Teatral que sou, sempre que conto os "causos" as pessoas racham o bico. O de hoje não foi exceção.
Cheguei à Polícia Federal 15 minutos antes do horário agendado, como pedido pelo site. Lá, vi que muitas pessoas aguardavam. Sentadas, mas o número era grande. Geralmente, se há agendamento, a espera não deveria ser assim tão cheia... mas tudo bem, quem tem pressa? Após aguardar alguns momentos, percebi que já havia atraso. Depois do chilique de um senhor (ilhéu, que conste) atrás de mim, vi que poderia demorar mais que o normal.
13h30 e nada. Muitas pessoas sendo chamadas, todas já tensas. Tudo bem, eu não me estresso fácil. Quinze minutos depois, a mulher que ia me atender chamou meu nome. Levantei, ela me pegou pelo braço (o_O), disse "Vamulá, senhoR Juão" e entramos.
"Moça simpática," pensei. Nos sentamos em sua mesa (nas respectivas cadeiras, não na mesa em si. Dã.) e ela começou a conversar com uma mulher que entrou comigo. O assunto? Dinheiro. Deixei os papéis em cima da mesa, ela continuou conversando. A estranha reclamando que não conseguira fazer empréstimo em um banco, que queria procurar outro... a atendente, dando razão. Ambas com aquele sotaquezinho gostoso da região. Tudo bem, quem tem pressa?
TRÊS minutos de conversas depois, ela pega meus documentos (óhhó!). Começa a conferi-los com o que eu já havia digitado previamente no cadastro virtual. Enquanto o faz, continua conversando com a "colega", mas agora sobre outro assunto: maquiagem. A mulher era vendedora da Natura, e a atendente queria "um lápish que tu tinhash, daquêle que eu comprêi ântesh". CLARO que a vendedora não sabia qual era, e também não o encontrava em seu catálogo. E eu ali, sentado. Quem tem pressa?!
A conferência dos documentos demorou QUATRO MINUTOS. Algo que poderia ter sido feito, com atenção MAIOR que a necessária, em uns bons 45 segundos. Vale constar que, no meio do processo, a atendente largou tudo o que estava fazendo para analisar o catálogo de produtos pra ver se encontrava o que a vendedora não achou. Eu me ajeitei na cadeira, e a atendente achou melhor fazer uma piada:
"Tu éish soltêro? Cum essa idádhi? Si tu quiséish, eu mudo o 'mashculino' aqui do cadáshtrã... tem 'não definída', quésh?"
A colega dela ri e eu digo que sou solteiro por opção, pra não me prender muito cedo e depois me arrepender. Só depois de falar isso vi que ela estava com uma aliança na mão esquerda. Ela me olha com cara de "que rapásh ishtressado, ô" e prossegue com o "atendimento". Vale enfatizar que disse aquilo sorrindo, com tom de voz baixo. Não fui agressivo, só dei continuidade no gracejo. Ué. =D
Mais dois minutos até ela terminar ENQUANTO falava com a tal mulher e ela percebe que eu olhava para o telefone a todo momento. Então, vem mais uma pérola:
"Ólha môçu; tu já ishperásse um tempão praentrá; agora ishpéra mazumpoquinho né?"
Tentando disfarçar a veia que saltou em minha testa, disse que não teria problemas e que tinha tempo. QUEM TEM PRESSA?!
Partimos pra etapa seguinte da elaboração do passaporte: a coleta de impressões digitais. O scanner estava pronto, ela pega meu polegar direito e começa. Depois, foram os outros. Nessa etapa ela pareceu querer tirar o atraso de todo o tempo perdido, já que, dos dez scans que ela fez (um pra cada dedo, com cores identificando a qualidade: verde, amarelo e vermelho), três apresentaram "pequenas falhas". E daí? Vai assim mesmo.
Próxima fase: a fotografia. Ela pediu que eu tirasse meus óculos e me sentasse frente à câmera digital, com fundo branco. Sentei, ajeitei meu cabelo rapidamente e ela pediu que eu olhasse para a câmera. No que olhei, veio o flash. Achei que era só um teste, porque eu estava torto em relação a câmera... mas não. Foi a oficial.
Coloquei o óculos rapidamente, pra olhar no monitor e ver como saí. Bom, deveria ter sido algo assim. Ficou mais ou menos assim.
Então, ela imprime um formulário, escreve algo nele e me entrega. O passaporte sairá no dia 28 de julho, à partir das 14h. Ela agradece com pressa e diz que já está tudo certo. Me levanto, desejo uma ótima tarde para as duas e saio.
Em dez dias, estarei lá. Quem sabe eu volto pra casa com um passaporte e um sabonete líquido de erva-doce? =D
Carvalho! Eu já teria perdido a paciência... O_o
ResponderExcluirMas bá, tchê !!!
ResponderExcluirTu tiveste sorte que falaram contigo ainda !!! E eu que me mudei dia 8 de março pra Canasvieiras e cumprimento os nativos e eles ficam me olhando como se estivesse com lepra e não respondem ?...rsssssssssss
99 % dos meus novos relacionamentos daquisão de paulistas, argentinos,paranaenses e gaúchos.
E olha que eu sou um cara de relações, faço amizades rapidamente...e ainda por cima me disponho com toda a sinceridade a compreender o desempenho, o bioritmo da ilha e a ser um manezinho adotivo...Imagine se eu estivesse aqui de má vontade...
Se quiser me visitar, estou aqui :
www.professorpizarro.blogspot.com
Gostei demais do teu blog.
Abração !
James Pizarro